Virando a mesa – Correio Braziliense

Virando a mesaSabe aquele hobby que você acalenta desde a infância? Ou até mesmo aquele talento para alguma atividade que nunca considerou levar para além das reuniões entre amigos? Pode tirá-los da gaveta. Segundo especialistas de mercado, tem aumentado o número de pessoas que abandonam carreiras sólidas ou formações em áreas tradicionais para buscar a profissão dos sonhos. O movimento, batizado de “opt-out” — optar por sair, em inglês —, ainda é tímido no Brasil, mas representa uma resposta à insatisfação de trabalhadores com a carreira escolhida, seja pela falta de oportunidade de crescimento, de um plano de carreira ou de afinidade com a área.

Pesquisa feita pela consultoria Accenture em 2012, entre 3,9 mil profissionais no Brasil e em outros 30 países, mostrou que 59% dos homens e 57% das mulheres estão insatisfeitos com o trabalho. No entanto, apenas um terço desses profissionais tem intenção de mudar de carreira. “Os brasileiros ainda arriscam muito pouco. Devido ao histórico de instabilidade econômica no país, as pessoas preferem não correr o risco”, comenta a gerente da consultoria de Recursos Humanos Allis Fernanda Lima. Resultado disso é o aumento na busca por concursos públicos, por exemplo. A Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac) estima que, a cada ano, 12 milhões de brasileiros disputem um cargo no serviço público.

O problema é que nem sempre a tão almejada estabilidade traz a felicidade. É na maturidade profissional — por volta dos dez anos de carreira — que o trabalhador começa a avaliar o emprego atual e a fazer projeções. “É aí que podem surgir a insatisfação, a desmotivação e o insucesso. Não ter afeição pelo emprego é ruim para o profissional e para o contratante, pois resulta em um trabalho ruim”, avalia a psicóloga Janice Pereira.

Reflexão

E como se preparar para que isso não aconteça? Para o diretor do site de classificados on-line Catho, Luís Testa, tudo começa com uma autoavaliação. “O profissional precisa considerar onde está e se a insatisfação resulta do ambiente de trabalho. Às vezes, uma mudança na área de trabalho dentro da própria empresa já pode resolver”, aconselha. Se a vontade de mudar permanece, é hora de pesquisar: conhecer o mercado desejado, conversar com profissionais da área ou até mesmo buscar o aconselhamento de um consultor de carreira.

A mudança, porém, não deve ser instantânea. O planejamento financeiro e pessoal deve ser considerado, até porque os primeiros meses na nova profissão podem não trazer o mesmo status ou poder aquisitivo da carreira anterior. Para a psicóloga Janice Pereira, três aspectos devem ser considerados: os interesses, a motivação e os potenciais e as habilidades. “O profissional deve mapear o que mais o estimula no trabalho. Muitas vezes, a pessoa tem habilidades que desenvolveu desde a infância e às quais não dá crédito. É preciso gostar do que se faz”, afirma.

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