Terceiro idioma serve como estratégia no mercado de trabalho – IG Carreira

Estudo de línguas deve seguir meta profissional, dizem especialistas

Falar um idioma fluente não é mais considerado um diferencial, mas sim um requisito para entrar no mercado de trabalho. A dúvida é: o que vale mais a pena, aprofundar-se no estudo de uma língua ou saber várias, ainda que não perfeitamente? Na opinião de Marcelo Ambrozio Ramos, diretor da MBA House, o importante é saber bem uma língua, para depois pensar em aprender uma segunda.

Segundo Ramos, é difícil conseguir um emprego sem ter um bom inglês. A escolha de um segundo idioma depende muito do objetivo do profissional. “Geralmente um inglês muito bom já basta. Mas, se a pessoa tem uma meta, a segunda ou terceira língua será necessária.”

Ramos afirma que ter um conhecimento impecável do português também é essencial. “Fica muito mais fácil aprender as outras. Sabendo bem sua língua, muito bem o inglês, o terceiro idioma servirá como estratégia e você não precisa ser fluente.”

Já na opinião de Steven Beggs, CEO da Seven Idiomas, é melhor saber vários idiomas do que ser fluente em um. “É bom você se comunicar em algumas línguas. O inglês é essencial, mas não precisa ser fluente. Tem que ter pelo menos um nível intermediário.” Para ele, o intermediário já é suficiente para o dia a dia corporativo porque os nativos em inglês sabem que, ao fazer negócios com um não nativo, levam em consideração a dificuldade de expressão de seu contato de trabalho.

O inglês se tornou o idioma básico, que todo mundo precisa saber. Ana Laura Taddei, professora do curso de Relações Internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), acredita que um inglês intermediário já é suficiente e a pessoa pode fazer outras línguas para aumentar suas oportunidades.

Outra questão importante é o gosto por determinado idioma. “É importante ver os fatores que ajudam no aprendizado. Se a pessoa tem identificação com a cultura, com certeza aprenderá a língua com mais facilidade”, ressalta Beggs.

Segundo uma pesquisa realizada em janeiro deste ano pela Catho Online, a diferença salarial entre os executivos que falam fluentemente inglês para aqueles que não falam é em média de 28%. Apesar disso, apenas 10% dos profissionais que estão no mercado têm fluência na língua inglesa.

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Currículo

Ramos destaca que não adianta o profissional colocar no currículo que tem cinco línguas, mas todas apenas com conhecimento básico. “O melhor é aprofundar uma. Não irá ajudar em nada saber um pouco de vários idiomas.”

Ana Laura afirma que colocar vários idiomas básicos no currículo é um problema. “Na hora de mandar um e-mail ou fazer uma apresentação, o funcionário não vai conseguir. Não adiantar querer parecer que sabe muitas línguas se não consegue se comunicar em nenhuma delas.”

Segundo Beggs, muitas vezes as pessoas acreditam que colocar no currículo o conhecimento de diversos idiomas facilitará a contratação. “Ter várias línguas, mas todas em nível básico, parece que a pessoa não sabe nenhuma realmente. Nesse caso, é melhor primeiro aprofundar uma pelo menos no nível intermediário, para depois aprender outras.”O administrador de empresas Luciano Almeida, de 43 anos, tem inglês fluente e acredita que a hoje isso é obrigatório em todas as áreas. “Uma segunda língua valoriza o currículo, mas as empresas tendem a optar pelo profissional com inglês fluente a um com dois idiomas intermediários, como inglês e espanhol, por exemplo.”

Por Patrícia Lucena, IG São Paulo

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