Foco no emprego – Revista Conselhos

REVISTA CONSELHOS 3

Claus Vieira, CEO da Catho.

O CEO da Catho, maior empresa de currículos e vagas on-line da América Latina, conta as novidades da companhia durante sua gestão – iniciada em maio do ano passado – e analisa os principais desafios do mercado de trabalho no Brasil em 2013.

A Catho teve grandes mudanças no ano passado. A Brasil Online, holding que detém 100% das empresas Catho e Manager, passou a ser controlada pelo grupo australiano Seek, um dos maiores no segmento de recrutamento on-line do mundo, em maio de 2012. O conglomerado já detinha 30% de participação acionária, mas decidiu aumentar esse controle para 51%, permitindo assim comandar e indicar novo CEO para a Catho. Foi nesse contexto que Claus Vieira, executivo com experiência em empresas de internet, assumiu a organização, fundada em 1977 por Thomas Case, e atual líder do mercado brasileiro. Após quase um ano na presidência, Vieira comemora os bons resultados, além do lançamento de três indicadores de emprego, realizados em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Sob a nova direção, a meta é concluir o processo de profissionalização da empresa, lançar produtos e consolidar a Catho na vanguarda tecnológica. Com a experiência no segmento, o CEO também faz previsões para o mercado de trabalho brasileiro em 2013, com a expectativa de que seja um ano “intermediário: sem aquecimento, mas também sem forte desaceleração”. O ano deve ser estável para os trabalhadores no Brasil.

Conselhos – O que mudou com sua chegada à presidência da Catho, em maio de 2012?

Claus Vieira – Quando a Seek assumiu o controle acionário – comprando 16% das ações do fundo Tiger e 5% da Consolidated Press Holdings Limited –, fui convidado para assumir o cargo de CEO. O grupo já tinha comprado 30% da Brasil Online em 2008, primeiro para conhecer a empresa e gostou da Catho por sua rentabilidade, por seu crescimento e por ser líder de mercado. Tenho experiência em empresas de internet – fui diretor do UOL, por exemplo –, e começamos esse novo ciclo. Nossa prioridade é concluir a profissionalização da gestão e melhorar o produto para candidatos e empresas. Também trabalhamos fortemente a eficiência operacional. Quando assumi, tínhamos 970 funcionários e, se eu não fizesse nada, hoje teríamos 1.080. Contratamos uma consultoria externa e reduzimos esse número para 740. Ter os resultados atuais com a equipe menor é ainda melhor, pois mostra que estamos mais eficientes. Remodelamos também nosso site, em janeiro, para deixá-lo mais moderno e veloz, além de lançarmos os três indicadores de emprego com a Fipe.

Conselhos – E como foram os resultados após a mudança?

Vieira – Como parte da Seek, estamos sujeitos ao ano fiscal diferente, que começou em 1º de julho de 2012 e acabará em 30 de junho de 2013. Em fevereiro, foram divulgados os primeiros resultados com um semestre completo sob controle do grupo. A Brasil Online, que inclui a Catho e Manager, cresceu 14% em receita e 26% em Ebitida (lucro antes de juros e imposto de renda). A receita geral foi de R$ 108,9 milhões e nossa projeção de faturamento é entre R$ 225 e 230 milhões para o ano, sendo que a Catho tem o peso nas receitas de 85%. O número de assinantes chegou a 315 mil, um aumento de 9%. A Catho gerou 16 mil contratações em janeiro deste ano e atingimos nosso recorde em outubro de 2012, com 18 mil empregados. A Catho cresce a taxas médias de 20% ao ano, o que é bom, mas para quem já é grande não é fácil continuar se desenvolvendo com números tão elevados. Mesmo assim, a empresa é enxuta e eficiente para cumprir suas metas. Nosso modelo de negócio também ajuda: é cíclico e acíclico. Se a taxa de desemprego sobe, mais candidatos procuram a Catho. Se cair, fica mais difícil para as empresas encontrarem profissionais, por isso elas nos procuram.

 

Claus 2 Conselhos – Atualmente, de onde vem a maior parte da receita: dos candidatos ou das empresas?

Vieira – Temos produtos para companhias, mas dos R$ 230 milhões estimados de faturamento, R$ 200 milhões devem vir dos candidatos, que pagam para acessar as vagas. No entanto, como na Seek essa relação é inversa, temos um projeto de transformação para deixar essa balança mais igualitária. Na nossa gestão, as receitas vindas das companhias têm de crescer a taxas de 50% ao ano. A ideia é alcançar o equilíbrio entre as duas receitas em cinco ou dez anos.

Vieira – Hoje, o concorrente principal da Catho é a Manager, que fatura perto de R$ 40 milhões ano. Depois, vem o Vagas.com, que deve lucrar metade disso, e é seguido por concorrentes com receitas pouco relevantes. Tenho alguns receios sobre o modelo gratuito e digo isso por exemplos que tive na minha carreira: quando fui gerente administrativo de uma empresa, percebi que se você dá comida 100% grátis para o colaborador, no fim do almoço tem desperdício. Se você cobra um pouco, ele sabe que está pagando e diminui o desperdício. Na época do UOL, em que tínhamos o produto gratuito IG, notei um fenômeno similar com a proliferação do número de e-mails por usuário. Por isso, acho que o cadastro de currículo grátis não funciona. No nosso caso, o preço é suficiente para o candidato se comprometer a colocar seus dados verdadeiros e mantê-los atualizados.

Conselhos – Quais são os desafios tecnológicos de manter o serviço on-line?

Vieira – A Catho possui um banco atualizado de mais de 2 milhões de currículos (ativos e ex-ativos), além de manter relacionamento com mais de 95 mil empresas que anunciam vagas gratuitamente no site. Manter o serviço on-line funcionado exige investimentos anuais de R$ 6 milhões em tecnologia e uma equipe de 100 profissionais. Com o fenômeno do Big Data (grande volume de dados), precisamos saber como tirar vantagem competitiva da quantidade gigantesca de informações que geramos. Nosso primeiro passo é tentar entender como ter os currículos certos para as vagas adequadas, realizando um encontro perfeito. Nos próximos anos, vamos ver grande evolução da inteligência artificial para realizar esse encontro, exatamente porque a capacidade de processar múltiplas fontes de dados aumentará. Um dos grandes focos de investimentos é no Cloud Computing, pois ele representa

a otimização dos recursos de hardware, que são caros. Teremos de investir cada vez mais. Para dar uma ideia da complexidade, participamos constantemente de feiras e eventos internacionais para estarmos conectados as últimas tecnologias e inovações.

Conselhos – Quais as especificidades dos brasileiros ao buscar empregos pela internet?

Vieira – Historicamente, o uso do brasileiro na internet é muito ativo. No nosso mercado, existem pesquisas que mostram que um terço das pessoas acessa por mês um site de carreiras e empregos. Não temos um terço de desempregados no País, mas eles buscam com frequência ferramentas para se manter atualizados. Outro dado é que metade dos nossos assinantes está empregado, ou seja, usam a Catho para acompanhar o mercado e monitorar oportunidades de evolução profissional.

Conselhos – Quais efeitos que o pleno emprego tem causado para empresas e candidatos?

Vieira – Começa a haver certa escassez de mão de obra em alguns setores. Com o pleno emprego e o País crescendo e competindo internacionalmente, temos o fenômeno de importação de mão de obra para complementar o mercado.

Começamos a ter problemas em alguns nichos e perfis de cargos, com dificuldades para contratação. No nível operacional (que ganham até R$ 1 mil), falta quantidade, e no sênior (acima de R$ 6 mil) temos um problema de qualidade. O pleno emprego é ótimo para as pessoas trabalharem sua carreira, mas do lado da empresa fica cada vez mais desafiador encontrar profissionais. Setores como engenharia têm problemas de qualidade, quantidade e giro rápido de trabalhadores. Outros nichos, como saúde e tecnologia da informação, também têm esses desafios.

Conselhos – O quão necessário é ao mercado de trabalho brasileiro a mão de obra estrangeira? A Catho pensa em produtos para esse público?

Vieira – A mão de obra estrangeira vem para preencher certas carências, onde a demanda é muito maior que a oferta. O mercado de altos executivos, por exemplo, está aquecido e vemos headhunters procurando lá fora. O mundo está ficando global e, se não encontro uma pessoa no aquecido mercado brasileiro, então buscamos no estrangeiro.

Com relação à Catho, nossa prioridade é o Brasil. A missão é otimizar e maximizar nosso negócio: queremos todas as vagas e todos os candidatos. Como multinacional, acho que ter produto específico para empresas buscarem estrangeiros é algo que poderemos oferecer no futuro.

Conselhos – Como a Catho enxerga e projeta o cenário do mercado de trabalho no Brasil para este ano?

Vieira – O ano passado fechou com taxa de desemprego de 4,6%, mas o crescimento do PIB foi pífio. Existem algumas incertezas na economia para este ano, por isso, o mercado de trabalho brasileiro deve ser intermediário: sem aquecimento, mas também sem forte desaceleração. Imaginamos que a taxa de desemprego ficará em torno de 5%. O Brasil ainda precisa passar por muitos ajustes de eficiência para ajudar as empresas. O funcionário CLT tem uma estrutura de custos cara e engessada. Mesmo assim, o País é guerreiro e vem avançando com todas as dificuldades e todos os déficits.

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Conselhos – Por que foram criados os novos índices com a Fipe?

Vieira – Os indicadores Catho/Fipe surgiram, pois na Austrália a Seek tem um índice muito conhecido que antecipa o nível de desemprego antes dos dados oficiais do governo. Como líder no nosso segmento, decidimos também contribuir fornecendo estatísticas confiáveis para o mercado. A Fipe foi escolhida como parceira, pois já é referência em vários estudos para outros setores, com uma metodologia reconhecida que funciona muito bem. Quando fechamos a parceria, a fundação fez uma análise muito rigorosa do banco de currículos da Catho e entendeu que nossos dados representam estatisticamente o mercado brasileiro. Então, criamos três indicadores: Taxa de Desemprego Antecipada, Índice Catho-Fipe de Vagas por Candidato (IVC) e Índice Catho-Fipe de Salários Ofertados. Escolhemos lançar os indicadores em janeiro, pois é o mês em que se mais busca emprego no ano. As pessoas pulam as ondinhas, fazem promessa para emagrecer e pensam em mudar de vida. E com essas promessas tendem a procurar mais empregos.

Conselhos – E quais os planos para a Catho este ano?

Vieira – Vamos lançar, em 1º de julho, uma ferramenta de triagem on-line atrelada à vaga. Será uma ação automática: quando a empresa colocar a vaga, será feita uma triagem na nossa base de dados para buscar os currículos compatíveis. Além disso, teremos os push invates, que são convites que as empresas podem fazer para candidatos ativos e ex-ativos. As ferramentas serão complementares.

Também faremos investimentos para mobile: já temos um aplicativo abrangente e agora vamos aprimorá-lo. As plataformas móveis vão evoluindo e, agora, queremos melhorar suas funcionalidades.

A experiência do usuário mudou muito e nossa plataforma precisa adaptar-se a diversos tipos de navegação. O fenômeno dos tablets, por exemplo, não existia há dois anos. Devemos nos preocupar com a experiência multiscreen e 2013 será um ano de amadurecimento da plataforma em todos os meios.

 

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