Cursos de curta duração ganham espaço – Diário do Grande ABC

Interesse é motivado pela possibilidade de obter diploma com apenas dois anos de estudo

Dados do MEC (Ministério da Educação) revelam que os Cursos Superiores de Educação Tecnológica caíram de vez no gosto dos jovens. Seja pela economia de tempo para aqueles que querem uma entrada mais rápida no mercado de trabalho ou pelo foco específico na área de atuação, o fato é que o número de alunos que ingressou em cursos de curta duração cresceu 390% de 2002 a 2007, passando de 38.386 para 188.347, segundo o censo da Educação Superior, divulgado em janeiro.

No Sisu (Sistema de Seleção Unificada) deste ano, dos 793 mil inscritos, 222.571, ou 28% do total, optaram por concorrer a uma das 9 mil vagas ofertadas pelas instituições da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica.

A validade do diploma de um curso tecnológico é exatamente a mesma de um bacharelado ou uma licenciatura. Uma vez formada, a pessoa pode participar de concursos públicos de nível superior, mestrados ou doutorados.

O gerente de integração da Catho Educação, Tiago Sereza, atribui o avanço da modalidade á escassez de mão de obra qualificada em algumas áreas. “Os empregadores têm uma enorme necessidade de profissionais especializados para acompanhar o desenvolvimento e crescimento de vários segmentos no país e os tecnólogos ganham espaço pela grande capacidade de alinhar o conhecimento com as práticas do mercado”, observa.

O vice-reitor da Uniban, Ellis Wayne Brown, avalia que a modalidade compreende áreas profissionais especializadas e orienta: “Logística, por exemplo, é uma disciplina de 132 horas no bacharelado em Administração, que tem 3.200 horas. Quem quer se especializar em Logística já na graduação, contudo, pode fazer um curso tecnológico nesta área específica, que tem 1.600 horas.”

Para a estudante de Tecnologia em Marketing Karen Rodrigues, 24 anos, a formação rápida foi decisiva para a escolha do curso. A são-bernardense já havia ingressado em Nutrição e Pedagogia, ambos Bacharelados, mas interrompeu os estudos antes de completar um semestre. “Não queria ficar quatro anos estudando, ficava ansiosa pela prática”, conta. Depois de consultar colegas que haviam optado pelo tecnólogo e breve pesquisa de mercado, ela diz que não se arrepende da decisão. “Fui contratada por uma agência de publicidade por conta do curso que faço, e nem entrei como estagiária”, comenta.

Região oferece vasta lista de opções para os tecnológicos

O Grande ABC dispõe de cerca de 80 opções de cursos tecnológicos nas mais diversas áreas de conhecimento. Para 2011, a Fundação Santo André criou mais três cursos de duração reduzida. São eles Gestão de Logística, Gestão de Qualidade e Gestão Financeira.

A Metodista aumentará de seis para dez a oferta de cursos tecnológicos, com a inclusão de Design de Interiores, Jogos Digitais, Produção Multimídia e Gestão da Qualidade.

Segundo Marcelo Feres, coordenador de regulação da Setec (Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica), as instituições reconhecem a educação tecnológica como alternativa à oferta de ensino. “Recebemos muitas instituições privadas que buscam se renovar por meio dos cursos tecnológicos, afirmando que as modalidades tradicionais já não atraem estudantes da mesma forma que há alguns anos.”

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