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O portal IG Economia publicou ontem uma matéria sobre “primeira chefia”.

Uma parte da Pesquisa Salarial e de benefícios da Catho Online foi usada como para complementar alguns dados. Confira!

Primeira chefia traz desafios no relacionamento interpessoal

Segundo especialistas, o principal é conseguir se comunicar bem com a nova equipe

A administradora de empresas Amanda Zaneti, de 28 anos, estava há quatro anos na empresa de monitoramento e recuperação de veículos Ituran Sistemas quando foi convidada a assumir pela primeira vez um cargo de chefia. Passada a euforia da promoção, logo Amanda começou a perceber os obstáculos que enfrentaria para ser aceita no seu novo cargo. “Quando assumi a gerência, a equipe já existia. Tinha duas funcionárias. Uma delas já tinha alguns problemas com a empresa, mas piorou com a minha entrada como gestora. Acabei tendo que demiti-la, porque precisava de uma equipe que me ajudasse. Era uma área nova para mim.”

Problemas como o de Amanda são comuns entre profissionais que assumem pela primeira vez um cargo de chefia. Geralmente, são pessoas jovens que se destacam na área operacional e são vistas pela empresa como de grande potencial. A mudança, no entanto, pode causar transtornos, caso a companhia e o funcionário não se preparem para essa nova fase.

Segundo a consultora da ADVB Lisiane Szeckir, é fundamental que o novo chefe se posicione, entenda qual será sua função e até onde vai o limite da sua liderança. “A partir disso, ele deve olhar a equipe como seus funcionários, e não colegas.” Reinaldo Geraldo, diretor de pesquisa e desenvolvimento e sócio da Door International no Brasil, concorda. Para ele, o novo chefe deve colocar com firmeza seu ponto de vista e criar um bom ambiente. Sem isso, acredita, a equipe não se sustenta.

Foi o que procurou fazer o publicitário Fábio Tadashi, de 34 anos, da Vivo. Ele já atuava há algum tempo como coordenador informal de um grupo de trabalho. Mas, quando se tornou realmente chefe, a primeira coisa que fez foi sentar com cada um e deixar claro que a partir daquele momento teria que cobrá-los por resultado. “Antes mesmo de me tornar chefe, eles já me viam como um mentor. Por isso, essa transição foi mais tranquila”, relembra ele. “Mesmo assim, foi fundamental a minha conversa com cada um para estabelecermos juntos os passos.”

O sócio-diretor da Alliance Coaching, Silvio Celestino, destaca que o novo chefe precisa estabelecer um limite de respeito e uma relação diferente da que existia antes. “Você precisa comunicar à equipe que continua sendo amigo e cordial, mas a relação agora é diferente e você terá que cobrar as pessoas.”

Para Eduardo Shinyashiki, consultor organizacional e presidente da Sociedade Cre Ser Treinamentos, o ponto central é a atitude e o caráter do líder. O profissional deve manter o respeito e a admiração pela pessoa, ser coerente com as próprias intenções e com os objetivos a serem alcançados na empresa.

Problemas

O maior desafio enfrentado pelos profissionais que assumem pela primeira vez um cargo de chefia costuma ser interno. “A pessoa acha que pode continuar sendo a mesma depois que se tornou chefe dos seus colegas. O profissional deve entender que, a partir do momento que passa a ocupar um cargo de gerência, não tem como voltar a tratar seus pares como antes, porque os interesses ficam diferentes”, afirma Celestino. Como chefe, o profissional precisa atingir os resultados cobrados pela empresa – e para isso sua arma de trabalho é a equipe.

“No início era mais tenso, mas com o passar do tempo foi melhorando, começaram a me respeitar”, relembra Amanda, da Ituran Sistemas. “Descobri que não tem como ser 100% colega e 100% chefe. Não dá para ter uma relação tão próxima e ao mesmo tempo ser chefe. De certa forma, tem de haver um distanciamento.”

Outro problema é o modo como comunicar os novos subordinados. “O ideal seria a empresa validar isso e não a própria pessoa, para que fique mais fácil a equipe olhar o antigo colega como gestor”, ressalta Lisiane. “Por mais que seja um funcionário antigo, ele é o novo como chefe.” Como isso muitas vezes não acontece, é importante que o profissional faça esse comunicado da maneira mais transparente possível.

No caso de Amanda, a empresa incentivou que fizesse uma pós-graduação em gestão de pessoas, treinamentos voltados a gestão organizacional e deixou a disposição outros gestores para eventuais dúvidas. “Mas eu mesma tive que comunicar a equipe sobre a minha nova posição. A decisão de como isso seria feito foi minha.”

Já Tadashi teve todo o apoio da empresa nessa mudança. “A Vivo tem um programa de formação de gestores, específico para a primeira gerência. Eles ensinam os novos chefes a enxergarem como é a liderança ideal, o que espera de você em termos de entregas e valores, os desafios que irá enfrentar, analisa se as práticas que está adotando estão funcionando e te dá dicas de como gerenciar.”

Shinyashiki afirma que a empresa também pode ajudar por meio de acompanhamento, avaliação e analise do período de adaptação do funcionário ao cargo.

Técnicas

Na nova função de gerente, o profissional terá de perceber que a comunicação é parte essencial do sucesso. Se a empresa não faz essa preparação, o profissional deve fazer. “A companhia busca justamente alguém que tenha habilidade em se comunicar”, afirma Lisiane.

Além de treinamentos, workshops e palestras, o novo chefe deve elaborar técnicas próprias de como irá gerenciar sua equipe. Uma das recomendações de Celestino é conversar com os gestores para que eles deem orientações.

Amanda utilizou técnicas próprias. “Para me ajudar a gerenciar, procurei focar no que eu tinha de base administrativa e nos exemplos de chefia dentro da própria empresa. Depois disso, sentei com cada um da equipe para analisar o perfil. Isso é o mais importante, conversar e estabelecer a posição que você acredita.”

Tadashi seguiu a mesma linha. “Mostrei o que achava que tinha que ser feito em cada projeto, as deficiências que eu via e me coloquei a disposição para ajudar. Isso foi muito importante para que eles entendessem a minha nova posição.”

Além disso, Tadashi criou uma relação com sua antiga chefe para trocar ideias e discutir suas tensões. “Apoio e estudo. Ter alguém para dividir suas ansiedades e estudar sobre liderança e comportamento. Isso foi essencial para mim.”

O profissional deve aprender a gestão também com leituras sobre liderança, buscar um referencial que favoreça essa interpretação e desenvolvimento. “Outra forma são as técnicas de gestão via coaching. O profissional fica mais seguro de si”, afirma Geraldo.

Shinyashiki afirma que o profissional precisa ter consciência que o conjunto de habilidades envolvidas no novo cargo não é o mesmo do cargo técnico. “Estar aberto para o aprimoramento e desenvolvimento de novas competências é o primeiro passo.”

Perfil e salário

Quem é o novo chefe? Geralmente são os jovens que se destacam na área operacional. A nova geração quer crescer de forma mais rápida e sabe que sem mostrar resultados isso não acontecerá. “Eles se dedicam de forma mais intensa e, por isso, acabam se tornando chefes muito novos”, ressalta Lisiane.

Mas será que o salário muda muito? Segundo Lisiane, a alteração não é tanta. “Há dez anos, muitas pessoas queriam se tornar chefes por conta da diferença salarial. Hoje em dia, como as empresas promovem mais funcionários a gestores, elas têm um favorecimento no salário, mas é proporcional ao cargo de responsabilidade. A diferença é muito pequena.”

A média salarial acaba variando conforme a empresa. “Geralmente é cerca de 30% de aumento. Mas a tendência é que haja um achatamento da estrutura e as diferenças salariais fiquem cada vez menores. O funcionário será recompensado com mais frequência e, por isso, a diferença será pouca”, afirma Geraldo.

De acordo com uma pesquisa salarial e de benefícios realizada pela Catho Online em janeiro de 2011, o aumento de salário também depende da área do profissional. Veja alguns exemplos:

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O levantamento foi feito com mais de 18 mil empresas em 3.398 cidades de todo o País, e é atualizada e cada três meses.

Dicas

Veja algumas dicas dos especialistas consultados pelo iG Carreiras para quem está se tornando chefe:

Se posicione – “O profissional deve olhar a equipe como sua, e não como colegas. Isso não significa mudar radicalmente de atitude, apenas encontrar um equilíbrio. Muitos líderes têm, no final de semana, momentos de integração com o grupo, e conseguem separar isso no dia a dia de forma assertiva”, afirma Lisiane.

Comunique sua equipe de forma mais transparente – “É preciso comunicar aos colegas sobre o novo cargo. Ele terá que cobrar resultados. Se ele não senta com cada um e explica sua nova posição, a equipe não entende que as coisas mudaram”, destaca Celestino.

Converse com seus gestores – Segundo Celestino, quem já tem mais experiência na área de gestão pode orientar o profissional que está começando.

Leia bastante – Tadashi, por exemplo, conta que leu muitos livros sobre gestão e comportamento para entender como deveria agir com sua equipe e o que a empresa buscava de um líder.

Faça um plano de carreira – “A partir disso, a pessoa percebe o que tem de melhorar”, ressalta Geraldo.

Seja coerente – Aja de acordo suas intenções e objetivos a serem alcançados na empresa

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