Aprendizado que vale ouro – Diário de S.Paulo

Escolas de idiomas, universidades e empresas de intercâmbios oferecem cursos de férias para os profissionais e estudantes turbinarem o currículo

Marianna Abdo Gonçalves Especial para o Diário

A qualificação é um dos requisitos obrigatórios no currículo e o item que mais conta pontos na hora de conquistar uma vaga de emprego. O mercado de trabalho está em busca de profis sionais com sólida educação, domínio de idiomas e cursos na área de atuação. É por isso que os colaboradores devem investir na carreira e turbinar esse documento com treinamentos específicos de instituições de ensino reconhecidas.

Pesquisa feita pelo portal de classificados de empregos e currículos Catho Online mostra que o grau de escolaridade faz a diferença nas médias salariais. Profissionais que ocupam cargo de diretoria e possuem mestrado ou doutorado ganham, em média, R$ 17.466,67 por mês, sendo que os que têm apenas graduação recebem cerca de R$14.641,18.

Já a remuneração mensal de funcionários com mestrado ou doutorado é de R$ 4.484,53 contraRS 2.792,61 dos que possuem formação superior. A graduação é apenas o primeiro passo para uma carreira bemsucedida. Após concluir o ensino superior e a especialização, o colaborador deve investir em cursos de curta duração.

“A preparação envolve conhecimentos acadêmicos, cursos de certificações específicas, idiomas e cursos de extensão. Se um profissional possui cursos e treinamentos como esses no currículo, demonstra que está preocupado com a qualificação e, certamente, se destaca em triagens de currícu los”, explica a coordenadora de cursos da Catho Educação Executiva, Etienne Carvalho.

Conciliar o aprendizado com a rotina de trabalho e a vida pessoal não é fácil. Por isso, muitos profissionais aproveitam as férias para estudar. É o caso da jornalista e produtora de moda Jéssica de Melo Balbino, de 23 anos, que fez o curso de comunicação interna na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), durante as folgas do ano passado.

“Nessa época, normalmente, as empresas estão com ritmo menos acelerado e isso ajuda a termos mais tempo para cuidar do aprendizado”, diz Jéssica. A coordenadora da Catho, Etienne, aconselha a não usar a falta de tempo no dia a dia como desculpa para não progredir.

“Os cursos de férias são uma saída para quem não abre mão da educação presencial. Esses programas mantêm o profissional qualificado e diferenciado das centenas de outros cola boradores que só fazem o convencional” , fala a especialista.

Outras vantagens atraem estudantes aos cursos rápidos

Valdir Franco Gerez, de 59, decidiu fazer um intensivo de inglês na escola de idiomas Fisk, após visitar o filho na Alemanha. “Sentia dificulda de comunicação em outro país e resolvi aprender inglês para futuras viagens.” Ele gostou tanto do resultado que vai se matricular no curso regular.

As férias também podem ser usadas para uma experiência no exterior. Foi o que a estudante Valentina Neves, de 16 anos, fez em julho. Ela embarcou para um tour de um mês na Europa com a finalidade de estudar inglês. “Como pretendo seguir a área de humanas, penso em relações internacionais ou direito. Poder viver uma oportunidade como essa me deu uma bagagem imensa”, destaca a estudante.

Para escolher o aprendizado adequado o profissional deve ter claro seu objetivo e pesquisar a instituição que oferece o curso escolhido. Para ajudar, a Catho Educação Executiva reune diversos cursos, separados por setor e instituição de ensino no site www.catho.com.br/cathoeducacao

Pesquisa do portal Catho Online mostra que a qualificação faz diferença no salário

Jovens querem conquistar bagagem cultural nas férias

Apenas algumas semanas separam Gabriela Cristina Benevides Tom, de 17 anos, da realização de um grande sonho: estudar fora do Brasil. Para conseguir isso, a jovem teve que se dedicar integralmente aos estudos para conquistar o prêmio do programa “Jovens Embaixadores 2011”.

Graças aos seus esforços, ela foi escolhida pela Embaixada dos Estados Unidos no Brasil para embarcar, em janeiro, rumo à terra do Tio Sam. Ela participara de um programa de intercâmbio de três semanas para estudar a língua inglesa e conhecer a cultura e os costumes do povo norteamericano, com destaque para a história e as artes.

“No começo, achei que seria um bicho de sete cabeças. Comecei a fazer exercícios, estudei e fui passando pelas várias etapas do processo seletivo da Embaixada americana. Quero aproveitar essa oportunidade e, quem sabe, cursar relações internacionais nos Estados Unidos”, explica Gabriela Cristina.

A experiência no exterior também será uma realidade para Joice Mota, de 23 , que estudará espanhol e artes por quatro semanas na Espanha. “Optei por estudar meio período para ter a tarde livre e conhecer lugares novos. Os fins de semana estão reservados para passeios mais longos”, comenta a estudante paulistana que, atualmente, trabalha em uma empresa hispânica.

Outro jovem que aproveitará as férias para estudar é Diego Francini Barbosa, de 18 anos, que fará o curso de fotografia básica digital na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Ele pretende ingressar numa graduação em publicidade e propaganda e acredita que esse treinamento o ajudará na carreira. Estudar nas férias não é um obstáculo para o aluno: “Agora é o momento de aproveitar essas oportunidades, pois com a faculdade e o trabalho devo ter menos tempo para me dedicar a isso”, conta Barbosa.

Programas abertos em universidades

As universidades não fecham as portas nas férias. Elas aproveitam para atrair alunos com cursos abertos. A Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) tem mais de 120 opções em administração, comunicação, design, relações internacionais e propaganda e marketing.

A escola apresenta cursos promissores como ações de marketing para a terceira idade, gestão de marcas no esporte, criação e hotelaria. Cada programa dura, em média, 15 horas e os preços variam de R$ 310 a R$ 1.240.

“A demanda é bastante distribuída em todos os cursos. Alguns temas com maior repercussão nas revistas de negócios recebem uma procura ainda maior”, diz o coordenador de cursos, víctor TrujiHo, que completa: “O perfil é diversificado, de executivos, empreendedores e acadêmicos.”

O Centro Universitário Belas Artes tem sete cursos livres em comunicação, design, fotografia e moda. A Estácio ministra treinamentos em ecologia, mercado de ações, fundos de investimentos.

Cursos de idiomas e intercâmbios

Aulas intensivas de línguas estrangeiras para aprimorara conversação e o treinamento em negócios e roteiros fora dopaíssão as opções para janeiro

As exigências do mercado fazem os profissionais correrem atrás de fluência em outras línguas. Isso aumenta a procura por cursos nas férias. No periodo de descanso, várias escolas oferecem intensivos. Algumas têm programas que eliminam um semestre em apenas um mês. Outras possuem cursos específicos de conversação voltados a viagens internacionais, negócios ou provas de proficiência.

A Fisk ministra cursos de inglês e espanhol em janeiro, de segunda a sexta. Cada aula dura três horas. Em um mês, o aluno aprende o conteüdo que seria ministrado no curso regular de um semestre. “Além da rapidez, os intensivos permitem um contato mais freqüente com o idioma, o que favorece bastante o aprendizado”, fala a coordenadora pedagógica da escola, Vera Bianchini.

A Seven também tem aulas intensivas de inglês em janeiro. Um dos cursos é voltado para negócios e outro, em conversação. A Aliança Francesa está com inscrições abertas e espera um aumento de 20% nas matrículas em relação ao ano pas sado. “É um período em que as pessoas têm mais tempo e se sentem mais à vontade para aperfeiçoar o conhecimento. O francês está cada vez mais dis seminado nas relações culturais, vida acadêmica e mercado de trabalho”, explica o diretor comercial e de marketing da instituição, Renato Vieira.

A maioria dos programas de intercâmbios exige um período livre de, pelo menos, três semanas. Para muitos profissionais, conseguir se ausentar do trabalho não é simples. Dessa forma, muitos aproveitam as férias para ter uma experiência internacional. A Experimento Intercâmbio Cultural oferece um roteiro para aperfeiçoar a língua espanhola em apenas uma ou duas semanas.

A viagem coincidirá com as comemorações de NataleAnoNovo, promovendo um contato maior com as tradições locais. Há duas opções de curso. Na escola Enforex são 20 aulas por semana do idioma mais excursões e atividades culturais com visitas a museus e exposições.

Na escola Don Quijote, o diferencial é que o aluno pode optar por estudar na Espanha ou no México. Para uma semana de aprendizado, o pacote in clui acomodação em casa de família com quarto individual, café da manhã e jantar. Custa 370 euros (cercadeR$828,80).

A World Study tem pacotes para quem quer aliar estudos e lazer. São os cursos casadinhos, que mesclam aulas de línguas no exterior com dança, artes, teatro, música e até surfe. “A maioria dos intercambistas são jovens que querem se especializar em alguma área”, diz o diretor regional da empresa, Fabrício Valverde.

A EF possui programas diferenciados. Em dezembro, os cursos de verão são na Cidade do Cabo, em Equador ou Sydney. Para jovens de 13 a 17 anos há um roteiro com três semanas de estudos e uma de lazer.

DESTINOS PREFERIDOS

“Os cursos disponíveis no Canadá e na Austrália são os mais procurados”

ÁREAS EM ASCENSÃO

Meio ambiente

Petróleo e gás

Finanças

Contabilidade

Marketing

Publicidade

Design

Arquitetura

Construção civil

Moda

Turismo e hotelaria

Relações internacionais (Ri)

Recursos humanos (RH)

Tecnologia da informação (TI)

PERFIL DO PROFISSIONAL EM ALTA NO MERCADO

Graduação

Especialização

Domínio de idiomas

Estratégia

Relacionamento interpessoal

Flexibilidade

IDIOMAS USADOS NO MUNDO CORPORATIVO

Inglês

Espanhol

Francês

Alemão

Italiano

Chinês

Japonês

INTERCÂMBIOS E VOLUNTARIADO

Canadá, EUA, Inglaterra, França, Itália, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, China, Japão

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