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Estratégia para trocar de emprego

por Leonardo Dias

Evandro queria sair de sua empresa atual. Era uma empresa de tecnologia de pequeno porte, com poucos clientes que traziam muito dinheiro, mas grande parte era para o dono. Evandro, principal analista de tecnologia da informação da empresa, não estava satisfeito nem com o salário que recebia, nem com o clima ruim no trabalho proporcionado pela estupidez do diretor e dono da empresa.

A melhor forma seria ser demitido. Para isso, entretanto, ele teria de começar a agir como um mau funcionário, chegando atrasado e não entregando projetos. Não era uma boa idéia, pois isso poderia afetar a sua carreira em futuras referências.

Outra forma seria pedir diretamente ao diretor, Sr. Manuel, para que ele o demitisse. Mas sabia que isso não iria acontecer: a empresa dependia demais de Evandro, e o diretor não o mandaria embora simplesmente porque ele queria.

Uma terceira forma era simplesmente começar a procurar emprego. Evandro passaria muito tempo no telefone agendando entrevista e teria de sair mais cedo e chegar mais tarde alguns dias por causa das entrevistas.

Seria o suficiente para o Sr. Manuel mandá-lo embora. No entanto também havia o risco do diretor começar a dar-lhe advertências e ameaçar a demissão por justa causa, a pior das hipóteses.

Foi então que, decidido, levantou-se com tudo de sua cadeira e foi em direção à sala do diretor. Seus olhos brilhavam. Foi logo entrando de uma vez e foi dizendo:

- Eu preciso de um aumento.

- Agora não dá.

- Eu preciso. O mercado está pagando muito mais para o meu cargo. Já tive propostas e não aceitei, outra vez. Mas agora é necessário.

- Não tem como.

- Tudo bem. Então a partir de hoje eu vou começar a procurar um novo emprego.

- O que?

- É isso mesmo. Vou procurar um novo emprego. Vou cumprir com as minhas responsabilidades aqui, mas também vou procurar um novo emprego. Obrigado.

E saiu da sala. Muitas pessoas podem questionar essa atitude de Evandro. Será que ele fez o certo?

Fez sim. Evandro sempre trabalhou com lógica e, dessa vez, não foi diferente. Não importava para ele. Qualquer uma das alternativas faria com que ele ganhasse o jogo. Foi como um xeque-mate: não havia opções que pudessem salvar o rei. No caso, o diretor.

Se ele quisesse demitir o seu analista, sem problemas: era o que ele queria. E se deixasse-o procurar emprego, sem problemas também. Não poderia demitir um funcionário por justa causa por excesso de honestidade. E também não há como forçar um funcionário a pedir demissão, ainda mais um determinado a conseguir o que quer.

Foi com essa jogada que Evandro ganhou o jogo - e, de quebra, um novo e melhor emprego.

Leonardo Dias | 19 de Abril de 2008, 09h09 | Nenhum comentário »

O diagnóstico

por Leonardo Dias

Asgard era uma empresa de comunicação que enfrentava alguns problemas. Há anos a empresa mantinha-se no mesmo patamar, sempre conquistando novos clientes de acordo com que antigos clientes saíam. O seu dono e diretor, João Batista, não sabia muito bem o que acontecia com ela. Pensava que a empresa enfrentava uma espécie de virose corporativa, uma doença do sono africana que a impedia de acordar e agir devidamente.

Resolveu contratar uma empresa de consultoria estratégica para resolver o problema. Um consultor especializado analisou os processos e as pessoas da empresa pelo período de um mês. O seu objetivo era encontrar o que havia de errado e o que havia de certo, pois as duas coisas teriam que melhorar. João estava apreensivo com os possíveis resultados, pois provavelmente teria que mudar tudo. E de fato, o diagnóstico não foi nada bom.

O consultor marcou com João uma reunião confidencial para apresentar os resultados somente a ele. Aí João descobriu uma série de coisas que nem imaginava. Dentre elas:

- grande parte dos funcionários da comunicação estavam desmotivados;

- a área comercial não interagia com a área de comunicação, o que tem gerava problemas nos resultados dos trabalhos nos últimos dois anos;

- o clima da empresa não estava bom, com muitas pessoas acreditando que a empresa sofreria cortes drásticos nos próximos meses, o que criou um clima acirrado — e desnecessário naquele momento — de competitividade;

- funcionários com problemas respiratórios tinham suas mesas próximas da área de fumantes ou do ar condicionado, o que fazia com que muitos deles adoecessem desnecessariamente;

- pelo menos em três funcionários foi detectada a necessidade de tratamento para depressão e ansiedade graves. Eram bons profissionais cujos resultados recentes deixavam muito a desejar, o que tornaria melhor recuperá-los do que demiti-los;

- muitas equipes dependentes uma da outra sequer conversavam ou trocavam email, havia a falta de uma central para que a informação pudesse ser compartilhada e idéias pudessem ser trocadas;

- a comunicação com o cliente estava precária porque as pessoas responsáveis por fazer o atendimento ao cliente não tinham a experiência necessária ou o treinamento adequado

- por último: o diretor nunca estava próximo para ver os problemas e preferia soluções rápidas para os efeitos em vez de efetivamente combater as causas.

João Batista quase caiu para trás ao ouvir tudo isso. Não porque era impressionante, e sim porque era simples. Não era tão difícil assim resolver o problema. Bastava que ele interviesse mais nos processos e atuasse mais diretamente, sem deixar a solução das causas dos problemas para depois.

Sem falar que nunca havia tido a percepção de que a saúde de funcionários-chave é essencial para a boa saúde de toda a empresa.

Diante dessa nova visão, João mudou totalmente a forma com que a sua empresa trabalhava. Integrou equipes, diminuiu gastos, ampliou investimentos na saúde dos funcionários, fez um levantamento dos doentes crônicos da empresa e mapeou os processos de forma a criar novas interações, diminuir custos e ampliar resultados. Em seis meses a sua empresa estava finalmente curada e rumo à liderança em seu segmento. O que faltava antes? O diagnóstico. Por vezes temos uma doença que imaginamos que não vai se curar, no entanto quando descobrimos efetivamente a causa, a cura acaba transformando-nos em outra pessoa.

E você, leitor? Diagnosticou as causas dos seus problemas hoje?

Leonardo Dias | 4 de Abril de 2008, 16h25 | Nenhum comentário »

A hora de sair

por Leonardo Dias

Marcelo sentia-se inseguro. Trabalhava numa loja de aparelhos eletrônicos no centro de São Paulo. Era um vendedor técnico especializado em equipamentos e materiais elétricos. Já trabalhava naquela empresa havia dois anos. No entanto, nos últimos meses, percebeu que havia algo de errado e achou que era a hora de sair.

Muitas vezes pensamos que é o momento de sair pelo mercado, mas não temos razões objetivas para tanto. Acabamos creditando tudo ao nosso próprio medo. Por vezes ficamos na zona de conforto até que um belo dia a empresa entra em zona de pânico. E aí pode ser tarde demais para sair, ainda que seja inevitável.

Mas há alguns sinais tênues que indicam que talvez seja o momento de fazer entrevistas em outras empresas. São como fumaça: podem ser vistos de longe, mas não se sabe se se trata de uma pequena fogueira ou de um grande incêndio. Talvez seja a hora de sair se na sua empresa:

- As reuniões em que você participa terminam sem decisões e sem soluções para os problemas nelas discutidos;

- os gerentes não se importam em ouvir os funcionários e tampouco em gerenciá-los. Parecem imersos em seus próprios problemas;

- os funcionários não funcionam devidamente, isso é, a empresa não fornece material ou ambiente adequado para que os seus processos-chave sejam executados com qualidade;

- os sócios ou diretores estão sempre fora da empresa e nunca têm tempo para os seus subordinados;

- ninguém da empresa sabe dizer com firmeza o quanto ela fatura;

- ninguém sabe se nos últimos seis meses a empresa deu lucro ou prejuízo;

- não há feedback ou avaliação dos funcionários, apenas broncas que desmotivam e tornam pior a qualidade do trabalho;

- a empresa nem demite, nem contrata, vive apenas na inércia, sem grandes mudanças;

- não há perspectiva de crescimento e ninguém sabe se um dia vai haver;

Se a sua empresa apresentar três ou mais sintomas acima, é hora de atualizar o seu currículo! Lembre-se: na maioria dos casos é melhor procurar um outro emprego estando empregado do que sem emprego. Antecipe-se no jogo da sua carreira! Trata-se de um jogo em que só você pode armar estratégias vencedoras. E não se pode vencer sendo um bom jogador sozinho num time ruim. Encontre a empresa certa, pois, com a ajuda dela, você conseguirá realizar os seus sonhos.

* = link http://www.catho.com.br/dicas/

Leonardo Dias | 7 de Março de 2008, 12h10 | 1 Comentário »

A Escada da Carreira

por Leonardo Dias

Joana queria alavancar a sua carreira e não sabia como. Após anos trabalhando como secretária executiva fez com que ela compreendesse processos importantes das empresas a ponto de poder atuar como uma gerente. A vida de secretária já era melhor do que a do início de sua carreira como recepcionista. No entanto estava longe ainda de chegar onde desejava.

Mas como fazer para subir a escada das virtudes e receber os seus direitos? Ela percebeu que de nada adianta subir uma escada se os degraus não estiverem firmes. Passou a pisar em um chão com mais fundamento: resolveu fazer uma pós-graduação em administração de empresas para sentir-se mais preparada.

Depois inscreveu-se em uma série de cursos que a auxiliaram a enxergar a empresa como um todo. Ter a visão global foi o que a auxiliou no seu trabalho como secretária. Ela podia preparar relatórios mais inteligentes para o seu diretor que, por sua vez, passou a reconhecer em Joana uma valiosa funcionária e muito acima de diversos gerentes.

Aí percebeu que para alcançar a vitória ela teria de fazer mais. E
passou a sugerir, mandar mais idéias. Logo o diretor passou a convidá-la para as reuniões não apenas como ouvinte, mas sim como uma grande assessora que conhecia bem a empresa e poderia opinar em qualquer assunto.

Em três anos Joana já tinha subido os três principais degraus: o do conhecimento, o da atitude e o da criatividade. Agora ela já se sentia firme para dar o próximo passo: procurar uma oportunidade em gestão.

No entanto ela não precisou de muito: o diretor, ao perceber os
movimentos de sua competente secretária, promoveu-a logo a gerente dando-lhe diversas oportunidades de crescimento na empresa onde estava.

Joana aceitou e resolveu continuar subindo. Agora almeja uma posição na diretoria, mas sabe que para isso ainda faltam alguns passos. Passos estes que todos nós deveremos estar dispostos a dar.

E você, leitor? Quantos degraus vai subir nesse ano?

Leonardo Dias | 1 de Fevereiro de 2008, 18h06 | 3 Comentários »

As buscas das empresas

por Leonardo Dias

Os três primeiros meses do ano são conhecidos como a melhor época para procurar emprego. Isso acontece porque as empresas terminam de fechar o balanço do ano passado e percebem que é hora de reinvestir o lucro obtido, ou seja, hora de contratar pessoal para fazer crescer as vendas e os negócios.

Uma forma de medir o que está acontecendo no mercado é ver quais as palavras que as empresas andam buscando. Por exemplo: um termômetro para saber se uma empresa vai aumentar o seu quadro de funcionários é observar se os cargos de departamento pessoal e de recursos humanos estão sendo muito buscados. No caso da Catho, esses termos aparecem logo no começo de nossa lista de palavras mais buscadas de janeiro.

Veja abaixo o TOP 30 de termos mais buscados pelas empresas. Confira abaixo os cargos que estão em alta. Uma dessas vagas pode ser sua!

1. recepcionista
2. vendedor
3. secretaria
4. vendas
5. auxiliar/assistente administrativo
6. motorista
7. telemarketing
8. engenheiro civil
9. estagiario
10. nutricionista
11. representante comercial
12. recursos humanos
13. assistente contabil
14. analista contabil
15. departamento pessoal
16. tecnico em seguranca do trabalho
17. farmaceutico
18. engenheiro mecanico
19. comprador
20. operador telemarketing
21. enfermeira
22. eletricista
23. contador
24. gerente comercial
25. advogado
26. marketing
27. assistente comercial
28. programador
29. tecnico em informatica
30. assistente financeiro

Boa sorte e prosperidade!

Leonardo Dias | 18 de Janeiro de 2008, 16h48 | Nenhum comentário »

A meta do ano novo

por Leonardo Dias

Fabiana queria um novo emprego no ano novo. Estava cansada de ficar o
tempo todo falando com os seus colegas de trabalho que nada resolviam. A
empresa onde estava era pequena e o trabalho, escasso. Havia pouco a
fazer e as novas idéias demoravam a ser executadas pois o comando da
empresa era centralizado demais para dar liberdade aos funcionários.

Ela optou por buscar emprego numa empresa maior, que desse mais
oportunidades e que a deixasse segura quanto ao futuro. Em sua empresa
atual ela não sabia se seria ou não promovida. A hierarquia na empresa
era quase nula, e não havia mesmo chances de crescimento. O dono das
decisões movia-se tão somente ao lucro imediato, sem pensar em projetos
estratégicos de longo prazo. Fabiana não se sentia segura para
permanecer em tão inóspito ambiente.

No entanto ela não estava formada, não falava outros idiomas, não
detinha conhecimentos estratégicos e tampouco tinha o perfil adequado
para trabalhar empresas de maior porte. Mas nada disso a deteve. Ela
resolveu arriscar.

Fez algumas entrevistas e, na segunda semana do ano novo de 2008 já
estava contratada para trabalhar numa empresa de grande porte. Ela
ignorou todos os amigos e amigas que lhe diziam para permanecer onde
estava e conseguiu algo muito melhor para a sua vida e para a sua carreira.

Nesse ano de 2008 não acredite nos obstáculos. Acredite nas metas. Elas
são muito mais importantes que as dificuldades. Por vezes nos deixamos
levar pela idéia de que as pedras no caminho são como barreiras. Mas não
são. São apenas pedras. Podemos desviar delas ou até mesmo empurrá-las
se forem grandes demais. Podemos até mesmo passar por cima delas. O que
não podemos é acreditar que as pedras são maiores que a estrada que
vamos percorrer.

Vale a pena pensar que se os obstáculos para atingir as nossas metas são
muito grandes, então as nossas metas são ainda maiores. Inspirar-nos com
os desafios significa costurar um destino agradável de se investir com
os fios de ouro do presente. Ouro esse que é o que há de mais importante
em todos nós: a nossa consciência. E é através da expansão dessa
consciência que seremos capazes de fazer o que quisermos. Por isso, caro
leitor, faça como Fabiana e construa o seu próprio destino.

Leonardo Dias | 11 de Janeiro de 2008, 14h49 | Nenhum comentário »

Quais são os seus planos para 2008?

por Leonardo Dias

Foi chegando o fim do ano e a HiTech Consultoria em Tecnologia da Informação tinha planos de transformar-se em 2008. O ano de 2007 havia sido um ano nota 9, mas 2008 teria que ser nota 10. Por isso o presidente da empresa resolveu criar um cargo de Diretor Comercial, algo que estava faltando para estimular e aumentar vendas.

Tratava-se de um investimento de grande vulto, mas necessário para mudar os processos. Ao final do processo seletivo, Paulo de Jesus foi o escolhido. Sua função era mudar tudo para tornar a empresa mais rentável no médio e no longo prazo.

A primeira coisa que Paulo fez foi conhecer a empresa e os seus clientes. Passou a entrar em contato diretamente com os contatos das empresas para compreender o serviço que estava sendo oferecido. Isso antes mesmo de falar com os gerentes comerciais.

Também resolveu marcar uma reunião com alguns vendedores externos com o objetivo de entender como trabalham os gerentes e ouvir sugestões que não costumam chegar até a diretoria.

Diante dos resultados, percebeu que um de seus problemas seria Geraldo, um gerente de vendas de uma área importante para a HiTech: a bancária.

Esse gerente não deixava os representantes trabalharem direito, era centralizador demais, queria ele mesmo fechar as vendas (e ganhar comissões sozinhos) e não estimulava a equipe a ganhar mais. Os rendimentos variáveis deles cresceram mais de 70% em um ano enquanto os seus representantes não conseguiam quebrar nenhum recorde.

Para resolver tudo isso, Paulo chamou-o para a sua sala pouco antes das férias coletivas e perguntou-lhe o seguinte:

- Quais são os seus planos para 2008?

- Quero manter a mesma taxa de crescimento do que em 2007.

- Esse não é o meu plano.

- Qual é o seu plano?

- Dobrar a taxa de crescimento de 2007.

- Isso é impossível.

- Impossível é pensar da forma que você está pensando. Se nesse ano crescemos 15%, o ideal é pensarmos em crescer 30% ano que vem. Mesmo se nos frustrarmos, certamente estaremos acima dos 15%. Você não vê dessa forma?

- Da forma como estamos trabalhando hoje, não.

- Da forma que você está trabalhando, você quer dizer?

Nesse ponto Geraldo percebeu que havia cometido uma gafe imperdoável. E para Paulo, a gafe era mesmo imperdoável. Mas Paulo de Jesus sabia que era natal e não queria também ser tão mau assim logo em seus primeiros dias.

- Agora você vai entrar em férias. Quero que pense sobre essa nossa conversa. Quero fazer uma nova reunião no ano que vem com você e espero que até lá você já tenha mudado de idéia.

Geraldo percebeu que teria de mudar completamente a sua forma de agir, pensar e sentir em 2008. Saiu da sala pronto para ir para casa e viajar de férias. Mas suas férias não seriam mais tão tranquilas quanto ele pensava. Era necessário mudar, e mudar o mais rápido possível. No entanto não sentia medo de mudar. Pelo contrário. Ao perceber que mudar era preciso e que isso iria fazer bem, Geraldo sentiu o coração disposto a arriscar, ainda que isso significasse perder no curto prazo - com ganhos imensos no longo prazo. Estava decidido: 2008 teria de ser um ano nota 10.

Mas Geraldo esqueceu-se de falar com Paulo. Paulo já tinha um plano: na primeira reunião do ano com Geraldo iria avaliar a situação novamente e ver se procederia com a demissão ou com a readequação de suas funções na empresa. De qualquer forma a vida de Geraldo mudaria completamente.

E quanto a você, leitor desse blog, convido-o a fazer do ano de 2008 um ano nota 10!

Para concluir, desejo a todos os leitores que os melhores dias de 2007 sejam os piores dias de 2008.

Um abraço e boas festas!

Leonardo Dias | 14 de Dezembro de 2007, 14h18 | 1 Comentário »

Medindo o tempo

por Leonardo Dias

Cada vez mais exigem-se resultados. E os profissionais, na ânsia de chegar a eles, estão ficando mais irritados e com problemas de ordem física e mental.

Mas como chegar a um ponto de equilíbrio sem precisar ir ao cardiologista três ou mais vezes ao ano?

A melhor forma é através da concentração. Concentrando-nos podemos desenvolver trabalhos com maior rapidez e menor quantidade de erros. É a concentração também que permitirá que executemos tarefas das mais distintas sem maiores dificuldades. A concentração é, definitivamente, uma forma de ganhar tempo.

Outra é o descanso. O corpo precisa da mesma carga horária de trabalho para o descanso. Se você trabalha oito horas, precisará descansar no mínimo oito horas. Só assim poderemos repor as nossas energias.

Por último, podemos falar que é a nossa própria ansiedade que poderá nos ajudar a terminar tudo no horário. A ansiedade, quando bem utilizada, pode tornar-se ferramenta útil para que possamos melhorar a nossa forma de interagir com as pessoas, desenvolver trabalhos, auxiliar na concentração para a resolução de problemas e muito mais.

Medir o tempo não é apenas cronometrar. Significa saber qual será a velocidade necessária na qual deveremos agir para atingirmos os nossos objetivos. Com o auxílio das ferramentas de concentração, de descanso e com os alertas de nossa ansiedade, podemos tornar o trabalho proveitoso e o descanso prazeroso.

Comece a medir o tempo para o que você faz e assim você poderá controlar melhor os seus processos. Assim você poderá ser mais eficiente dentro do seu horário, e não precisará mais fazer o cansativo e estressante serão.

Leonardo Dias | 7 de Dezembro de 2007, 15h40 | Nenhum comentário »

Eu fui bem na entrevista?

por Leonardo Dias

Entrevistas causam ansiedade. Antes dela, ficamos pensando no que o entrevistador irá perguntar e o que poderemos responder. Depois dela, sempre fica aquele pensamento de “Será que eu fui bem na entrevista?”

Não é difícil detectar sinais para saber se você foi bem ou mal. A simpatia do entrevistador não quer dizer nada. Você saberá que foi mal na entrevista quando:

- O entrevistador olhar muito para o relógio;
- O entrevistador perder a paciência com você, demonstrando irritação com as suas respostas;
- O entrevistador fizer longas pausas antes de cada pergunta, como se ponderando muito as suas respostas;
- O entrevistador insistir num determinado tema não muito importante em detrimento de outros temas mais importantes para aquela vaga;
- Você enrolar em alguma resposta;
- Você evitar olhar nos olhos do entrevistador;
- Você deixar de responder alguma pergunta; e, finalmente:
- O entrevistador disser ao final da entrevista: “Obrigado, vamos entrar em contato pelo sim ou pelo não”

Agora você sabe que foi bem em uma entrevista quando:

- O entrevistador não olha para o relógio e presta a devida atenção às suas respostas;
- O entrevistador “aprende” com você sobre determinado assunto;
- O entrevistador faz perguntas relevantes sobre a sua experiência profissional, parecendo interessado em ouvir mais sobre a sua carreira;
- Você consegue responder com desenvoltura, sem precisar enrolar;
- O entrevistador olha nos seus olhos e você corresponde;
- O entrevistador e você aparentam otimismo tanto com as perguntas dele quanto com as suas respostas; - Você não deixar de responder pergunta alguma, ou até mesmo possibilitar ao entrevistador fazer novas perguntas; e, finalmente:
- O entrevistador disser ao final da entrevista: “Quando você teria disponibilidade para iniciar?”

Existem outros fatores para identificar se você foi bem ou mal em uma entrevista. No entanto os fatores enumerados acima servem para você saber se foi bem ou mal de forma geral. Outros fatores podem contar para você não ser contratado. Por exemplo: você pode ter ido bem na entrevista, mas outro entrevistado foi ainda melhor. Mas não vale a pena ter ansiedade por isso. Vale mais voltar para os seus afazeres sem receio e esperar a resposta com calma.

Se você foi bem na entrevista, ainda que não seja contratado, será lembrado pela empresa que o entrevistou para futuras oportunidades. Agora, se você foi mal, trate de melhorar o quanto antes. Assim você conseguirá o emprego que quiser. Somente será necessário ter fé em si mesmo.

Leonardo Dias | 30 de Novembro de 2007, 16h53 | Nenhum comentário »

Vai pra rua!

por Leonardo Dias

As horas demoram a passar quando o coração bate sem pressa. É o que
sentia Gustavo logo após o almoço de uma sexta-feira. Queria ir embora,
mas as horas não passavam.

Muita gente quer ir embora depois do almoço numa sexta-feira. A grande
carga de peso da semana toda parece que cai sobre a gente nesse dia.
Sentimo-nos cansados, ainda que estejamos motivados. O corpo clama por
descanso e prazer, para tirar proveito da vida. No entanto temos de
ficar até o fim do expediente.

Após o trabalho, Gustavo talvez encontrasse os colegas para uma rodada
de cerveja e conversa. Ou talvez simplesmente fosse para casa assistir
televisão no sofá. Ainda não sabia o que fazer. Foi quando Léia, a
secretária do diretor, chamou-o para a sala dele.

Imaginava que o diretor sequer estivesse na empresa naquele dia. Mas
para a sua surpresa ele estava. Quando Gustavo entrou na sala dele, ele
tratou de ir logo dizendo a verdade.

– O seu trabalho é muito ruim, e nós não o queremos mais por aqui.

Aí o coração de Gustavo acelerou. Todo o seu sono e cansaço
transformou-se em adrenalina. As pupilas dilataram e parecia que os
olhos iriam sair de suas órbitas ao ouvir aquilo tão diretamente.

– Não gosto de você, não gosto de saber que você está quase dormindo na
mesa depois do almoço, não gosto do jeito que você está me olhando
agora. Mas eu não gostar de você não é o motivo que está me fazendo te
mandar para a rua.

Gustavo engoliu seco.

– Vamos te mandar para a rua porque você tem muito talento para isso.
Você está triste aqui no escritório e sinto que está desmotivado.
Portanto, vamos dar um carro para você fazer um trabalho externo. Você
irá visitar clientes, ser um consultor sênior, e ganhar muito mais por
isso. Você vai vender e vai fazer projetos. Eu não gosto de você, mas
toda a diretoria quer isso e ficou incumbido a mim fazer isso. Você aceita?

– Claro!

– Ótimo, então comece na semana que vem.

Gustavo saiu da sala atordoado. Descobriu duas coisas: uma é que o
diretor, principal gestor da empresa, não gosta dele, o que não era bom.
Mas que, mesmo assim, confiava nele, o que era bom. Agora ele só
precisava ir para a rua e fazer de forma com que o diretor passasse a
admirar o seu trabalho. Essa era a parte mais difícil. Mas quem não está
disposto a arriscar?

Naquela sexta-feira, Gustavo nem foi beber com os colegas, nem foi para
casa assistir televisão. Simplesmente trabalhou até um pouco mais tarde.
Com o coração acelerado, não percebeu que já tinha até dado a  hora de
ir para casa.

Leonardo Dias | 23 de Novembro de 2007, 17h40 | 1 Comentário »

Entraremos em contato

por Leonardo Dias

Lúcia foi àquela entrevista na empresa dos sonhos. Após muito falar sobre seus estudos, seus trabalhos e sua carreira, ouviu aquela famigerada frase:

- Lúcia, nós ainda vamos entrevistar outros candidatos, mas entraremos em contato para notificá-la. Mesmo que você não seja a escolhida, nós ainda assim entraremos em contato.

Ela esperou duas semanas e nada aconteceu. Ainda que ansiosa, resolveu não ligar. Continuou procurando outras oportunidades e até conseguiu novas entrevistas. Uma delas bastante promissora. Tanto que não ficou mais ansiosa em relação à entrevista na empresa dos sonhos dela.

No entanto, na segunda-feira de três semanas depois da entrevista naquela empresa, Lúcia continuou pensando como seria bom se ela trabalhasse lá. Poderia mostrar o seu trabalho de forma diferenciada, teria um ótimo treinamento e poderia até mesmo passar um período no exterior para aprender mais.

Mas não poderia condicionar o seu trabalho àquela empresa, por isso continuou procurando.

Na terça-feira, três semanas depois, é que ligaram para ela. A selecionadora foi logo dizendo:

- Lúcia, tudo bem? Olha só, escolhemos você para a vaga. Demoramos algum tempo para nos decidir porque havia um candidato muito forte com mais prioridade que você. Mas para a nossa surpresa ontem ele desistiu de trabalhar conosco e aí optamos por você.

- Ah, é? Justamente ontem?

- Sim. Por que?

- Por nada, não. Mas e agora? Quando começo?

- Pode ser amanhã? Amanhã você já pode vir e trazer os documentos e aí acertamos o resto, pode ser?

- Pode, claro.

- Está certo. Qualquer coisa diferente entraremos em contato, tudo bem?

Lúcia ficou preocupada com o “entraremos em contato”, mas percebeu que não tinha nada a temer.

- Tudo bem. Obrigada.

E desligou o telefone. Logo ao desligar, deu muita risada de pura alegria. Chegou até a chorar, pois o seu desejo havia sido atendido.

Leonardo Dias | 9 de Novembro de 2007, 17h44 | Nenhum comentário »

A gota d’água

por Leonardo Dias

Às vezes falta pouco para deixar transbordar as emoções. É nessas horas que sentimos que falta apenas uma gota d’água para provocar uma tragédia, que pode ser desde um escândalo, falando em voz alta com as pessoas, ou até mesmo uma crise de raiva que pode levar ao isolamento da pessoa, que passa a viver mais apenas consigo mesma confundindo as relações que tem com outras pessoas.

No entanto sabemos que buscar uma vida social ativa, procurar atividades que estimulem a mente e o corpo ou até mesmo aprofundarmo-nos numa atividade que nos dá prazer pode contribuir para esvaziar o coração dos sentimentos escabrosos que o prejudicam.

Ter o coração leve ajuda a mente a trabalhar melhor as idéias. Tomemos um exemplo. Imagine-se numa situação em que você está num supermercado e quer estacionar o carro. O estacionamento está lotado. Você vê uma pessoa se aproximando do carro para sair e aguarda. Na hora que a pessoa sai, chega outra e estaciona no seu lugar.

Uma pessoa com o coração pesado agiria de forma negativa. Gritaria, buzinaria, xingaria e diria que é uma falta de respeito do aproveitador pegar a vaga daquela forma. Com isso causaria mal a si mesmo, à pessoa que fez isso e às demais pessoas presentes que observarem aquela atitude. O que não é nada bom.

Mas quem tem o coração leve iria buscar observar. Pode ser que a pessoa que tenha estacionado, por ter vindo do outro lado, não tenha percebido que havia outro motorista aguardando. E, de qualquer forma, não se deve gastar tanta energia por algo tão pequeno. Melhor procurar outra vaga.

Com esse tipo de atitude, pode-se conquistar mais alguns anos de vida e evitar a ansiedade, a irritação e a depressão. Se mantermos o copo dos sentimentos ruins, caberão ainda muitas gotas d’água que poderemos beber lentamente, sem deixar transbordar.

Leonardo Dias | 26 de Outubro de 2007, 15h36 | Nenhum comentário »

A insegurança e o desemprego

por Leonardo Dias

Estar desempregado por um tempo razoável pode levar o profissional ao desespero e à frustração. Era o caso do Flávio, que procurava emprego há três meses sem sucesso. Não era um profissional ruim. Já estava formado e tinha muita aptidão para as mais diversas funções dentro das empresas em que trabalhou. Sempre trabalhou em departamento pessoal e tinha toda a experiência das rotinas da área.

Virtualmente ele poderia trabalhar em qualquer empresa que tinha o departamento pessoal constituído. Também sabia que essa área das empresas sempre tinha novas oportunidades, visto que é uma área de rotatividade. No entanto não apareciam oportunidades e ele ficou deprimido.

Com a depressão veio o desânimo. Ele não mandava mais currículos, não procurava mais entrevistas. Apenas ficava sentado o dia todo, acreditando que algum dia alguém iria ligar para ele oferecendo um emprego. Como isso não acontecia, ele ficava ainda mais desanimado.

Acreditava que o problema era com ele. Ele tinha feito algumas entrevistas. Sempre lhe diziam que iriam avisá-lo caso fosse aprovado ou reprovado. No entanto, depois das entrevistas, não havia retorno nem para dizer que sim, nem que não.

Essa situação é comum a muitas pessoas. No entanto a recomendação é não se deixar levar pelo desânimo e continuar tentando. Se as tentativas não derem certo, talvez seja o caso de se fazer um exame de consciência.

Analisar o que se tem dito nas entrevistas. Rever o currículo para ver se não tem erros. Pensar na sua postura na hora de falar. Enfim, é necessário, nessas horas, fazer uma grande análise de nossa própria personalidade para evitar que caiamos nos mesmos erros sempre.

Quando conversei com o Flávio, disse a ele tudo isso. Agora ele está novamente empregado no departamento pessoal de uma grande empresa nacional. Quando lhe perguntei como foi que ele conseguiu, ele me disse:

“Acho que simplesmente passei a acreditar mais em mim mesmo. Com isso o entrevistador acreditou em mim”.

A verdade é que existe uma doença que acomete diversas pessoas sem que elas percebam. Chama-se insegurança. Ela tem diversos sintomas, como ciúme, tristeza, raiva, falta de energia, imunidade baixa e uma certa visão distorcida de si mesmo. Se você apresenta esses sintomas, vale a pena examinar-se e buscar sentir-se mais seguro.

Dessa forma você conseguirá o que quiser. Experimente!

Leonardo Dias | 19 de Outubro de 2007, 17h38 | Nenhum comentário »

Os futuros dias das atuais crianças

por Leonardo Dias

São mais de 180 milhões de brasileiros, sendo que 92,8 milhões pertencentem à população economicamente ativa. Temos uma taxa de desemprego aberto em torno de 9,8%, o que significa que quase 10 milhões dos brasileiros hoje estão procurando emprego.

Amanhã será comemorado o Dia das Crianças. As crianças não fazem parte da população economicamente ativa ainda, mas dentro de um período de 5 a 15 anos teremos mais de 45 milhões novos brasileiros entrando na economia, além de outros 20 milhões que passarão a ser inativos. Que futuro estamos preparando para esses milhões de crianças?

O melhor presente que podemos dar às nossas crianças hoje é a educação. É com essa virtude que as crianças poderão enfrentar um Brasil ainda mais competitivo dos anos vindouros. Outro presente seria a facilitação do empreendedorismo. Apenas com novos negócios é que o Brasil será capaz de absorver todas essas pessoas que estão chegando ao mercado de trabalho.

Temos que ser mais otimistas. De nada adianta hoje dizer que o Brasil tem problemas se nada fazemos para melhorar. É necessário que o brasileiro saiba fazer lobby, mas não o lobby ilegal, e sim um lobby no sentido de forçar os nossos políticos a agir pensando num futuro melhor. É necessário exigir dos políticos em quem votamos que eles façam o bem para a república, e não para si mesmos.

Diante dos atuais problemas éticos e das preocupações tacanhas de nossa elite política, não iremos muito longe. É necessária uma guinada para um novo caminho para que as nossas atuais crianças possam continuar presenteando seus futuros filhos nesse dia 12 de outubro. Para isso cabe a você, leitor, começar a exigir não apenas os seus direitos, mas os direitos de nossas crianças. Elas é que trabalharão no Brasil do futuro.

Leonardo Dias | 12 de Outubro de 2007, 10h43 | 2 Comentários »

Os bons e os maus acordos

por Leonardo Dias

Em algumas empresas é comum a desorganização pelo excesso de simplicidade de alguns processos. Foi o que aconteceu com Janaína. Ela estava trabalhando e foi indicada por um antigo cliente para trabalhar em outra empresa. A empresa, em sua cidade, era um simples escritório, sendo que grande parte das operações encontravam-se no interior.

A proposta a princípio era ruim, menor do que a atual. Por isso não aceitou. Aí ligaram para ela de novo e fizeram uma nova proposta. Essa mais interessante, que incluía ainda uma comissão.  Janaína não hesitou e pediu demissão de seu emprego para ir trabalhar na nova empresa.

Lá percebeu que as coisas não eram bem assim. O gerente, que lhe fez a proposta, não havia dito que ela iria ser secretária, recepcionista, telefonista, assistente e representante tudo ao mesmo tempo. E, para piorar, mudou a proposta depois dizendo que não haveria comissão, mas que teria um pequeno acréscimo ao salário.

Janaína não hesitou e pediu para cancelar o processo de admissão. Não havia como continuar, pois o processo seletivo já havia sido muito complicado. As promessas feitas anteriormente não valeram, e ninguém havia dito a ela o que ela iria exatamente fazer até que chegou na empresa.

Para evitar essas situações, sugerimos aos candidatos, sobretudo os já empregados, que recebam propostas por escrito do que vão fazer. Dessa forma fica complicado para a empresa depois tentar mudar tudo quando o profissional já está trabalhando.

Janaína deve conseguir em breve um novo emprego. Ela é uma profissional competente e sabe que não terá problemas em conseguir um trabalho melhor. E você, leitor? Já passou por algo parecido?

Leonardo Dias | 5 de Outubro de 2007, 12h17 | Nenhum comentário »

A dinâmica de grupo

por Leonardo Dias

Taís foi convocada para uma dinâmica de grupo. Era uma seleção para escolher dois profissionais para a área de criação de novos produtos de uma indústria de brinquedos eletrônicos. A idéia era escolher quatro profissionais dentre doze que passariam por algumas entrevistas. Desses quatro, os dois melhores seriam contratados.

Ela queria o emprego. Tinha experiência com criação de produto, mas nenhuma com dinâmica de grupo. Os doze foram divididos em quatro trios que deveriam criar um projeto de um novo brinquedo. Taís teve a idéia de criar uma espécie de casa de bonecas eletrônica. Considerou que as meninas do mundo de hoje também têm forte interesse em tecnologia, computadores e em todas as novidades que sempre estiveram restritas aos brinquedos dos meninos.

Desenhou a casa de bonecas inspirada numa que ganhou de sua avó quando era criança. A casa teria luzes, som ambiente com suporte a MP3, uma mini-televisão que seria a central de operações da casa e ficaria na sala principal, como se fosse um home-theater. Dentre as funções disponíveis havia a de audio-books na biblioteca da casa. Através dessa função os pais poderiam fazer com que a casa de bonecas contasse histórias para as crianças, que elas mesmas escolheriam na mini-televisão.

Taís conseguiu ser convocada para a entrevista. Era com o diretor de criação da empresa. Lá chegando, o diretor, que havia gostado bastante da idéia que saiu da dinâmica, perguntou à Taís como ela tinha chegado àquela idéia. E foi essa resposta que garantiu a Taís o emprego:

– Cada vez mais as casas têm eletrodomésticos com muitas funções, mas as casas de boneca não acompanharam essa evolução. Da mesma forma, as empresas de brinquedo pecam por não criar brinquedos que sirvam aos pequenos de molde para um mundo real. As crianças precisam de fantasia, mas também precisam conhecer o mundo como ele é. Só assim teremos adultos que não ficarão mais frustrados, e sim confiantes em suas decisões e sempre bastante assertivos.

O diretor concluiu que o emprego era dela. E chamou os colegas que ficaram com Taís no trio para construir justamente aquele projeto que nasceu na dinâmica de grupo. Foi a primeira vez, naquela empresa, que um projeto surgido de um processo de seleção foi até o fim.

Leonardo Dias | 28 de Setembro de 2007, 14h02 | 1 Comentário »

O corte

por Leonardo Dias

Roberto era um excelente funcionário. Estava sempre metido nos desafios mais difíceis, a que respondia com maestria. A cada um deles recebia novos aumentos. Sentia-se feliz em seu trabalho quando o diretor-geral chamou-o em sua sala num dia atípico. Roberto percebeu que muitos colegas estavam cabisbaixos, sem nenhum sorriso nos rostos. O que será que o diretor queria com ele? Achou estranho ser chamado logo cedo.

– Olá, tudo bem?

– Tudo. Sente-se Roberto. Vamos conversar.

Roberto sentou-se. Percebeu que o diretor tinha a mesma cara de pesar que alguns de seus colegas. Ele foi direto ao ponto.

– Roberto, nós precisamos cortar custos na empresa. Você é um dos melhores funcionários e, por isso, um dos que têm o salário mais alto. É com muito pesar que serei obrigado a demitir você, mas sei que você terá uma enorme facilidade para arrumar emprego. No entanto o nosso faturamento nos últimos três meses caiu para aquém do esperado e não tem jeito.

Roberto não conseguia falar nada. O diretor falava de indenização enquanto Roberto apenas pensava em sua esposa e em suas duas filhas pequenas. Ficou desesperado. Apenas confirmava ao que o chefe dizia com a cabeça, sem nada dizer. No final, saiu da sala e foi para casa.

Lá chegando percebeu que não poderia perder tempo e foi logo escrevendo o seu currículo. Aproveitou para atualizá-lo, coisa que não fazia já há muitos anos. Foi aí que percebeu o quão importante era escrever sobre ele mesmo. “Falar sobre si é uma arte”, pensou, enquanto traçava no papel todas as iniciativas e desafios de sua carreira. Percebendo-se satisfeito, levantou da cadeira entusiasmado, com muita rapidez. Ao fazer isso ficou com tontura. Tudo ficou preto e ele caiu desmaiado no chão.

Nesse momento Roberto acordou. Ainda não tinha ido para o trabalho. Percebeu que deveria ter tido algum tipo de pesadelo, pois acordou caindo da cama. No entanto não conseguia lembrar-se exatamente do seu sonho.

Saindo do chão, arrumou-se e foi para o trabalho. Sentia-se feliz quando o diretor-geral chamou-o em sua sala num dia atípico. Nesse momento Roberto teve uma sensação estranha, uma espécie de déjá vú.

Antes de ir para a sala, resolveu ler um email de um colega que tinha um link para uma matéria sobre os principais erros de um currículo. Pensou que não precisaria, mas resolveu ler a matéria mesmo assim. Aprendeu um pouco sobre o assunto até que se levantou para falar com o diretor. O que será que o diretor queria com ele? Achou estranho ser chamado logo cedo.

Leonardo Dias | 21 de Setembro de 2007, 14h27 | 5 Comentários »

Você foi promovido

por Leonardo Dias

Chamei você até a minha sala porque você está sendo promovido. Parabéns. A sua combinação de competências é única. Em todo esse tempo não tivemos nenhum problema com você, seja no seu relacionamento com as outras pessoas ou seja pelos resultados obtidos, sempre positivos.

Por vezes tivemos de chamar a sua atenção dando-lhe um feedback sobre o que poderia ser melhorado. A cada um deles você demonstrou vontade de melhorar, sempre evoluindo mais do que o solicitado.

Outra característica marcante da sua vida até aqui tem sido a sua capacidade de aprender. Está sempre lendo e praticando o que lê. Há muitas pessoas que estudam muito, mas que não aplicam à própria vida os conceitos que adquirem. Não é o seu caso. Tudo o que você lê, seja uma notícia de jornal ou um relatório, é motivo para você trazer novas ações e estratégias, sempre buscando a melhoria do coletivo.

Por tudo isso decidimos promover você. Parabéns! Nessa nova etapa de sua vida você deixará de ser guiado por tutores para dar os próprios passos. Você terá a oportunidade de demonstrar resultados a partir de suas ações livres, sem necessitar de alguém que lhe diga o que fazer. Não haverá mais provas e professores como os que você conheceu aqui, e sim professores da vida real e provas de vida que exigirão muito mais de você do que a mera presença em sala.

Não fique triste nem sinta saudade de mim. Eu, o seu caderno do último ano da faculdade, não sentirei a sua falta. No entanto você eventualmente se lembrará de mim quando, em sua vida, surgir algum problema parecido com os que você resolvia nas minhas páginas. Se isso acontecer, saiba que poderá contar comigo para lembrar das antigas soluções. Basta abrir uma das duas velhas gavetas: ou a gaveta em que estou guardado ou a do arquivo de suas boas memórias!

Leonardo Dias | 14 de Setembro de 2007, 14h21 | 2 Comentários »

Independência ou liberdade

por Leonardo Dias

Gian tinha de escolher, mas as opções não ajudavam. Sentia-se dependente demais de seu novo emprego que, por sua vez, não lhe garantia segurança. Todo mês a empresa mandava bons profissionais embora por motivo de corte de custo com pessoal.

Também estava cansado de gastar horas indo de um lado a outro da cidade para ir ao trabalho. Sentia-se um verdadeiro escravo da vida moderna, ganhando não muito bem e trabalhando muito, ainda que mal.

Por meses observou o seu corpo somatizar a ansiedade e a irritação em gripes, febres estranhas, dores musculares diversas e dores de cabeça lancinantes.

Por sorte já era setembro e o feriado do dia sete estava próximo.

Quando saiu da estação do metrô próxima ao seu trabalho, recebeu um jornal gratuito. Lá viu uma notícia sobre o feriado da Independência e um breve resumo da história da Independência quando Dom Pedro I a proclamou. “Independência ou morte” era o título da nota.

Aquilo o inspirou a buscar a liberdade.

E foi ao trabalho diretamente para o departamento pessoal para pedir demissão. Não tinha a menor idéia do que fazer, mas bradou, ainda que em pensamento, “independência ou morte”. A empresa já o tinha na lista dos próximos a demitir e resolveu demiti-lo mesmo, de forma a pagar-lhe mais em indenizações.

Com esse dinheiro Gian montou um site especializado em pequenas viagens para cidades próximas aos grandes centros, São Paulo e Rio. Publicou anúncios de um grande site de busca e passou a viver do que lhe rendiam os cliques.

Conquistou a desejada independência, mas ainda não conheceu a liberdade, pois ainda estava sujeito aos roteiros que os visitantes de seu site tinham que seguir.

Gian hoje tem a independência. Porém, como acontece com o Brasil, ainda está muito longe da liberdade.

Leonardo Dias | 7 de Setembro de 2007, 10h27 | Nenhum comentário »

O blog indiscreto

por Leonardo Dias

Gisele estava terminando o processo de efetivação de um estagiário. Dentre as tarefas estava verificar o perfil no Orkut e sites pessoais, como blogs ou fotologs.

Acabou encontrando o blog do Daniel. Lá ele falava mais de sua vida pessoal, do fim do curso da faculdade e um pouco do fim do estágio. Lá ela encontrou o seguinte post.

“Vou ser efetivado na minha empresa. Quer dizer, ninguém ainda me falou nada, mas um supervisor disse que eu seria indicado para ser efetivado. Acho bom mesmo. Estou acabando a faculdade e tudo o que menos queria agora era trocar de emprego pois gosto da empresa de onde estou. Apesar de ter um cara que me incomoda por lá, ele não é meu chefe e não trabalho diretamente com ele.

Acho interessante poder falar essas coisas no blog. Hoje é o Dia internacional do blog e todos nós deveríamos postar alguma coisa hoje para simbolizar esse dia. Resolvi falar do trabalho, mas poderia ser qualquer coisa. Afinal os blogs servem para qualquer coisa mesmo”.

Mal sabia Daniel que também servia para que a empresa verificasse a conduta de seus funcionários. O texto do blog era bastante inocente, mas mostrava uma qualidade que a empresa de Gisele admirava: a sinceridade.

No entanto, durante o processo de efetivação Daniel teve de ir ao departamento pessoal falar com Gisele.

Lá chegando ela perguntou-lhe quem é que lhe incomodava, de acordo com o que estava escrito em seu blog.

Observou que Daniel ficou com vergonha ao saber o que ela tinha lido. No entanto resolveu ser sincero uma vez mais.

- É um outro estagiário que não foi nem efetivado. Ainda bem! Ele me incomodava porque só ficava falando mal das coisas e das pessoas sempre.

- Sim, sabíamos disso. Mas mesmo assim precisava perguntar a você. Obrigado!

Daniel saiu da sala aliviado, mas ao mesmo tempo preocupado. Pensou: “melhor ser mais discreto com o que escrevo sobre a minha vida”.

Melhor mesmo. Ainda mais hoje que é, de fato, o dia internacional do blog!

Leonardo Dias | 31 de Agosto de 2007, 13h52 | 2 Comentários »

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