por Fernão Silveira
Em meu post da semana passada, falei um pouco sobre a palestra que o consultor americano Stephen M.R. Covey fez no World Management 2008 (para lembrar como foi o evento, clique aqui e confira a cobertura do jornal Estilo & Gestão RH).
Guru mundial em temas ligados à confiança e à liderança corporativa, Covey defende que “o primeiro trabalho do lÃder é criar e inspirar confiançaâ€. O palestrante e consultor prega que a confiança – artigo cada vez mais raro no mundo dos negócios – não é um atributo lento e estritamente social, mas sim um agressivo e veloz catalisador de resultados econômicos. “Quando a confiança aumenta, os custos e o tempo dos processos diminuemâ€, sustenta Covey.
Seguindo nessa linha de “confiança é dinheiroâ€, o especialista ressalta que “os bons profissionais querem ter a confiança de seus gestores e das empresas em que trabalham. Caso contrário, vão procurar um lugar onde tenham isso.†Se pensarmos bem, isso é fato: ninguém gosta de trabalhar num clima de desconfiança, puxação de tapete e competição exacerbada. Certo?
Como todo bom guru organizacional americano, Covey desenvolveu as suas regrinhas… São os 13 comportamentos de alta confiança! Vale a pena refletir:
1 – Fale diretamente (não minta ou fale pelas costas)
2 – Demonstre respeito pelos outros, independente de suas posições hierárquicas e status sociais
3 – Crie uma atmosfera de transparência
4 – “Erre certo†(ou seja: mesmo que você erre em alguma ação, tenha certeza que você partiu de princÃpios corretos, éticos e dignos de confiança)
5 – Mostre lealdade
6 – Entregue resultados (sim, a confiança, por si só, não basta…)
7 – Aprimore-se sempre
8 – Confronte-se com a realidade (ou seja: mantenha os pés no chão e expresse a realidade às pessoas que estão à sua volta – colegas, superiores e subordinados)
9 – Esclareça expectativas (ou seja: deixe claro à s pessoas ao seu redor se as expectativas que elas têm são possÃveis e concretizáveis)
10 – Exerça sempre a responsabilidade
11 – Ouça primeiro (e isso é dificÃlimo para a maioria dos gestores…)
12 – Mantenha seus compromissos
13 – Estenda a confiança
Para Stephen M.R. Covey, essas 13 regras são as chaves da “confiança inteligente†(“smart trustâ€), que se opõe à confiança cega e ingênua.
Será que você está pronto para exercer a “confiança inteligente�
Fernão Silveira | 7 de Julho de 2008, 11h16 | Nenhum comentário »
por Fernão Silveira
A confiança foi o tema principal da palestra que o consultor americano Stephen M.R. Covey fez na semana passada (dia 25/6), em São Paulo, no evento World Management 2008 (para saber mais, clique aqui e confira a cobertura do Jornal Carreira & Sucesso).
Covey, autor do livro “The Speed of Trustâ€, traduzido para o português como “O Poder da Confiança†(Editora Campus), defende que ela é sinônimo de lucro. Ele argumenta que todos os dispositivos de segurança e burocracia criados pelas empresas por causa da falta de confiança só geram perda de tempo e custos, muitos custos.
O especialista norte-americano dá dois exemplos que ajudam a ilustrar essa “Speed of Trust†que ele tanto defende. Vale a pena prestar atenção:
1 – O trilionário investidor americano Warren Buffet fechou, há pouco tempo, um negócio de muitas centenas de milhões de dólares com o Wal-Mart (a maior rede varejista do mundo) em apenas duas conversas, sendo a definitiva uma reunião que durou não mais que 4h.
Todo o negócio, segundo Covey, foi fechado “no fio do bigodeâ€, sem todos os caros e demorados procedimentos de auditoria e legalização que geralmente marcam as aquisições de empresas – processo chamado de “dull diligenceâ€.
De acordo com Covey, o negócio foi muito rápido e consideravelmente mais vantajoso para as duas partes graças à confiança mútua, pois Buffet sabia exatamente o que iria encontrar na empresa adquirida e o Wal-Mart sabia que o investidor cumpriria à risca tudo o que fora combinado. “Quando a confiança aumenta, os custos e o tempo do processo diminuemâ€, argumenta.
2 – Um vendedor de rosquinhas (“donutsâ€) e cafés de Nova York, dono de uma barraca muito concorrida no distrito financeiro de Manhattan, dobrou seus lucros e melhorou suas vendas graças, unicamente, à …confiança.
A história que Covey conta é a seguinte: esse pequeno comerciante, que trabalha sozinho, tinha uma clientela razoável e ganhava fama pela qualidade de seus produtos. A procura começou a aumentar, mas esse mercador (“one-man showâ€, segundo o palestrante) estava tendo problemas com a última fase de seu processo de atendimento: a cobrança e devolução de troco aos clientes (estágio que sucede a retirada do pedido e a entrega dos quitutes solicitados). O vendedor, preocupado, percebia que inúmeros clientes - potenciais e antigos - estavam indo embora porque não queriam esperar nas longas filas que começavam a se formar diante de sua barraquinha. Tudo por causa do troco…
O que fazer, então? Confiar, segundo Covey!
O palestrante contou que o vendedor de donuts decidiu colocar em sua barraca uma bacia com moedas e notas de baixo valor, permitindo ao próprio cliente o pagamento da conta e o recolhimento do troco devido.
O resultado?
Segundo Covey, só coisas boas: ele passou a atender mais pessoas e deu fim à s filas, aumentando, naturalmente, seu faturamento. Além disso, o vendedor percebeu que em vez de ter problemas com erros (ou má-fé) de clientes na hora do pagamento e retirada do troco, as gorjetas passaram a ser ainda maiores. “Foi a forma que os compradores encontraram de recompensar a confiança que o vendedor depositou neles. Confiança atrai confiança. As pessoas querem que se confie nelasâ€, argumenta Covey.
O tema da confiança parece estar ganhando espaço no universo corporativo. Voltaremos a falar sobre esse tema aqui no Catho Blog.
E você? Como anda a sua confiança?
Fernão Silveira | 30 de Junho de 2008, 11h43 | Nenhum comentário »
por Fernão Silveira
Tudo bem que já faz alguns dias, mas acho que muitos de nós ainda estamos com o jogo Brasil 0 x 0 Argentina (realizado na última quarta-feira, dia 18/6, pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010) na cabeça. Pois eu queria fazer alguns comentários a respeito…
Fique sossegado, caro(a) leitor(a), que eu não vou comentar o jogo em si. E nem vou falar de futebol, em si – também não vou engrossar o coro de cornetas que pede a cabeça do técnico Dunga (nem vou opinar sobre isso, embora tenha uma opinião muito clara…).
Chamou-me a atenção um lance especÃfico daquele duelo: a jogada em que o atacante Robinho, num lampejo de genialidade, escapou pelas costas da defesa argentina, driblou um atabalhoado goleiro (mais uma saÃda estúpida de Abbondanzieri, por sinal!) e não transformou esta excelente oportunidade em gol porque foi individualista demais (fominha!, como diriam os boleiros).
Naquele momento, Robinho tinha três opções: 1 (a mais fácil e eficiente) – cair no chão quando teve a camisa ostensivamente puxada pelo “Pato†Abbondanzieri dentro da área e simplesmente sofrer pênalti; 2 (não tão fácil, mas provavelmente eficiente) – tentar dar o passe para que um colega melhor posicionado (o atacante Adriano, no caso) fizesse o gol; 3 (certamente a pior opção, justamente a escolhida por ele) – seguir sozinho com uma jogada extremamente complicada para tentar fazer um “gol de placa†e virar herói do Brasil x Argentina.
Tudo bem que uma partida de futebol é muito dinâmica e as decisões são tomadas em frações de segundos pelos atletas - na maioria das vezes, sem muito raciocÃnio e com muito instinto (quem não se lembra da reveladora confissão do atacante Mirandinha, ex-Corinthians: “Não consigo correr e pensar ao mesmo tempo!â€). Tudo bem que Robinho tem, sim, habilidade para driblar um time inteiro e fazer um golaço… Mas acho que o caso daquele Brasil x Argentina exemplifica bem um dilema que não raro nos surpreende no universo corporativo.
Robinho, claramente, decidiu pelo individual. É evidente que ele sentiu que o goleiro argentino, ao ser driblado, havia puxado a sua camisa dentro da área (o que resultaria em pênalti – talvez a ser cobrado por outro jogador). Também aposto que ele viu Adriano em melhor posição dentro da pequena área, à espera de um passe. Mas, ainda assim, optou pelo mais difÃcil, que resultaria num gol inesquecÃvel. Pena que não aconteceu.
O fato é que todo o esforço de Robinho naquela jogada de nada adiantou. O lance seguiu, o árbitro (acertadamente) não deu pênalti e Robinho acabou desarmado, enquanto Adriano esbravejava, pronto para fazer o gol. E o jogo acabou em 0 a 0.
Como dizem os portugueses, o lance de Robinho é aquele que separa a besta do bestial. Como deu errado, ficamos na primeira opção. Se desse certo, estarÃamos até hoje comemorando a jogada bestial do atacante brasileiro. Pressionado, em fração de segundos, Robinho tomou a sua decisão – manteve a fé em seu taco e optou por tentar resolver tudo sozinho. Mas acabou privando o Brasil, a sua equipe, de uma boa possibilidade de vitória.
Pense bem: isso certamente já aconteceu no seu ambiente de trabalho…
Acho que a lição final – pelo menos isso ficou muito forte para mim – é sobre as implicações do trabalho de um fora-de-série em detrimento do restante da equipe. Se Robinho decidisse, o mérito seria todo dele. Como ele falhou, todos foram pichados. Será que isso é justo? Talvez não, mas esse é um dos ossos do ofÃcio de trabalhar em grupo.
Se pudermos aplicar esse ensinamento para a vida, daria o seguinte conselho: quando estiver com uma excelente oportunidade nas mãos (ou aos seus pés) e souber que não dará conta sozinho, peça ajuda, “passe a bola” ao companheiro melhor posicionado. Assim, provavelmente a equipe inteira sairá vencedora.
E Robinho, por favor, caia no próximo pênalti que sofrer contra a Argentina…
Fernão Silveira | 23 de Junho de 2008, 14h58 | Nenhum comentário »
por Fernão Silveira
Responda rápido: quando lhe perguntam (pense numa entrevista de emprego…) quais são os seus maiores defeitos, o que você responde? Ah, e você é sincero? (Não me venha com respostas como: “Sou perfeccionista!†ou “Trabalho demais! )
Pois é, nunca é fácil falarmos sobre os nossos próprios defeitos e fraquezas. A mais recente edição do Jornal Carreira & Sucesso traz uma interessante entrevista com o consultor, educador e colunista (das revistas Você S/A e Viver Bem) Eugenio Mussak, que destaca o “lado humano†como a parte mais deficiente dos profissionais. Veja só:
Há uma pesquisa que dá conta de que 80% das pessoas que são demitidas da organização por “culpa própria”, e não por “culpa da organização”, perdem o emprego por deficiências humanas, e não técnicas. Dificuldade de comunicação, de aceitar cobranças, de exercer liderança… Concordo plenamente com isso. Acho que o lado humano ainda é o calcanhar de Aquiles dos profissionais. A parte técnica é mais simples e o lado humano implica em desenvolvermos algumas qualidades de comportamento, caráter adequado aos valores da organização e da sociedade.
Confesso que jamais havia parado para pensar nisso, pelo menos não com esse ponto de vista. A parte técnica é, sim, mais fácil de atender. O mais complicado é encontrar profissionais que conciliem a parte técnica do trabalho com aspectos “simples†de gestão, liderança e convivência humana (sim: educação, flexibilidade, cortesia, respeito pelo espaço alheio, ética…), que não se aprendem nas escolas. É por isso que as empresas estão cada vez mais sedentas por colaboradores multidisciplinares, com visão estratégica de negócio e forte apelo humano (algo fácil de achar, né?).
Isso me lembra uma reflexão que ouvi, há alguns meses, de John C. Maxwell, conhecido como o maior treinador de lÃderes do mundo e uma das maiores autoridades sobre liderança da atualidade. O especialista americano observa que há duas décadas, mais ou menos, a “literatura de negócios†era majoritariamente focada em aspectos técnicos e ferramentais: marketing, administração, finanças, vendas, planos de negócios. Hoje, porém, os livros são muito mais voltados aos aspectos humanos e comportamentais: liderança, trabalho em grupo, inteligência emocional, comunicação interpessoal, relacionamentos com colegas e superiores.
Mas por quê?
Em minha opinião, justamente porque chegamos a uma época em que o nÃvel técnico dos profissionais é muito parelho – há cada vez mais escolas, em cada vez mais lugares, ensinando as mesmas coisas a milhares de jovens inteligentes, talentosos e cheios de energia. Assim, cada vez mais, o diferencial está no aspecto humano, na inteligência emocional e organizacional. E isso é dificÃlimo de “padronizarâ€, por mais livros e cursos sobre o tema que possam existir no mercado.
O que você acha disso? Deixe aqui o seu comentário!!
Fernão Silveira | 16 de Junho de 2008, 15h49 | 12 Comentários »
por Fernão Silveira
Estamos na semana do Dia dos Namorados, comemorado em 12 de junho. E sempre que chega esta efeméride, volta à tona um tema muito pertinente (e ainda polêmico para muitas pessoas): namoro no ambiente de trabalho!
O jornal Estilo & Gestão RH, em sua mais recente edição, traz uma matéria muito legal sobre o tema, discutindo com especialistas como deve ser o procedimento de empresas e namorados-colegas de trabalho no caso de um “romance corporativoâ€. Antes de mais nada, clique aqui e leia!
Agora que você já leu a matéria, vamos trocar idéias sobre o tema…
Concordo 100% com os especialistas ouvidos na reportagem, que são categóricos ao afirmar que não adianta a empresa “proibir†que dois colegas se apaixonem e se envolvam amorosamente. É evidente, por outro lado, que os dois pombinhos-colegas de trabalho precisam ter bom senso e discernimento para não deixar que as intimidades, os segredos de alcova e as contendas relacionais invadam a empresa.
Talvez seja justamente pelo motivo exposto acima que muitas empresas adotam o cuidado – adequado, em minha opinião – de garantir que namorado e namorada (esposa e marido…) não trabalhem no mesmo departamento ou em áreas correlatas. Tudo bem que em briga de marido e mulher não se mete a colher, mas a empresa tem o direito de intervir, sim, se o relacionamento entre colegas estiver influenciando de alguma forma negativa o trabalho de ambos.
E o caso mais polêmico, provavelmente, é quando o relacionamento amoroso se dá entre chefe e subordinado(a). DaÃ, os limites tornam-se ainda mais tênues e a relação profissional tende a ser ainda mais delicada. É preciso ter muito cuidado e responsabilidade para lidar com casos assim!
Você, caro(a) leitor(a), tem algum caso interessante de namoro no ambiente de trabalho para contar? Então, divida a sua experiência conosco! Deixe um post para o nosso Catho Blog contando a sua história!
E bom Dia dos Namorados para todos!
Fernão Silveira | 9 de Junho de 2008, 11h33 | 1 Comentário »
por Fernão Silveira
Dentre os muitos textos excelentes da mais recente edição do Jornal Carreira & Sucesso, um despertou especial atenção para mim. Não é de hoje que a coluna de Tom Coelho traz artigos pertinentes, bem escritos e muito úteis. Mas o texto que recheia a edição nº 348 do nosso JCS é especialmente expressivo, em minha opinião.
No texto, Tom Coelho fala dos muitos projetos que deixamos para trás em nossas vidas (pessoais e profissionais) porque não conseguimos as “condições ideais” para realizá-los: tempo, recursos, apoio de outras pessoas e por aà vai. Pois as palavras de Tom Coelho teimam em não sair da minha cabeça. Veja só:
“Temos o mau hábito de esperar pelo mundo perfeito para tomar decisões. É como se decidÃssemos cruzar a pé uma movimentada auto-estrada apenas quando todos os veÃculos parassem para permitir nossa passagem, sem a existência de qualquer sinalização que os obrigasse a tal ação. Enquanto buscamos e ansiamos por este mundo perfeito, outras pessoas fazem o que é possÃvel, com os recursos de que dispõem, dentro do tempo que lhes é concedido. E não raro acabam sendo bem-sucedidas. Então, ao observarmos o conteúdo de suas produções, colocamo-nos imediatamente a criticá-las, certos de que poderÃamos ter alcançado um resultado muito mais satisfatório. Nós pensamos; elas agiram.”
Quantas vezes isso já não aconteceu com você? Quantas vezes “o desejo de fazer o ótimo dilacerou a possibilidade de fazer o bom”?
As palavras de Tom Coelho me fazem lembrar de outro ensinamento bacana, este transmitido por Luciano Pires, o ex-diretor de multinacional que mudou sua vida após uma aventura pelo Monte Everest. Veja se as coisas não se encaixam:
“Na escalada de uma montanha, ainda mais em uma montanha como o Everest, não existe caminhada. O passo é do tamanho do pé, por causa das trilhas estreitas, das subidas Ãngremes e das tempestades de neve. Eu aprendi que nada resiste a um passo de cada vez, pequeno, constante e sistemático.”
Para finalizar, sugiro uma reflexão sobre os versos de uma música da banda americana Rage Against the Machine (que eu gosto bastante, por sinal!):
It has to start somewhere (Tem de começar em algum lugar)
It has to start sometime (Tem de começar em algum momento)
What better place than here (Que lugar melhor do que aqui?)
What better time than now (Que melhor momento do que agora?)
Fernão Silveira | 2 de Junho de 2008, 10h34 | 6 Comentários »
por Fernão Silveira
Na semana passada, em evento muito interessante da Catho Consultoria em RH, tive a oportunidade de assistir à palestra de Luciano Pires, o ex-diretor de multinacional que mudou radicalmente sua vida após realizar um sonho antigo: chegar ao acampamento-base do Monte Everest, a mais de 5 km de altura.
Dentre as muitas coisas interessantes que Luciano expõe em sua palestra, que é recheada de valiosas lições de vida, ele fala sobre problemas. Ou supostos problemas, pois até esse conceito ele nos faz questionar.
Para começar, ele lembra um ditado muito pertinente: “Ninguém tropeça em montanhas, tropeça em pedras pequenasâ€. E é a mais pura verdade, pois geralmente nos preocupamos com megaproblemas e conjunturas cósmicas (!!) que não dependem de nossa força ou vontade – e, pior ainda, jamais vão nos atingir.
Ao falar desses problemas, os imaginários e os reais, Luciano Pires lembra de sua preparação para escalar o Everest. Ele conta que se preocupou com “tudoâ€: o equipamento, as cinco camadas de “roupas técnicas†para encarar tempestades de neve e frio abaixo de – 15º C, o Mal da Montanha (problema que não raramente leva aventureiros à morte em escaladas), os guerrilheiros maoÃstas, o aeroporto (se é que se pode chamar aquilo de aeroporto…) entre as montanhas onde pousam os aviões dos aventureiros… Tudo! Será mesmo??
Pois o palestrante-aventureiro não contava com um problema aparentemente pequeno, porém real e imediato, que passou à margem de seu amplo planejamento para a grande aventura: como ir ao banheiro no Everest. Luciano admitiu que estava pronto para tudo (ou quase tudo), menos para encarar as fossas improvisadas e as agruras de cuidar das necessidades mais básicas do ser humano em condições altamente adversas. “Isso quase me matou lá no Everest!â€, lembra o palestrante, arrancando risos da platéia.
Depois da aventura, Luciano trouxe a seguinte lição: todos os “grandes problemas†(as montanhas), na verdade, estavam 100% sob controle – ele tinha os equipamentos certos e sabia usá-los, estava ciente das condições para minimizar os efeitos da altitude e evitar o Mal da Montanha, estava acompanhado por guias que conheciam os melhores caminhos do Everest e sabiam evitar os trechos tomados por guerrilheiros maoÃstas. A única coisa para a qual ele não estava totalmente preparado era algo aparentemente banal (uma “pedrinhaâ€), quase indigno de ser previsto no planejamento de um grande aventureiro (será que Indiana Jones se preocupou com banheiros em algum momento de sua vida fantástica?).
Pois é, caro(a) leitor(a). Ninguém tropeça em montanhas, até porque nós sabemos onde elas estão e conseguimos visualizá-las muito bem. Mas por que será que ainda nos preocupamos tanto com elas e deixamos de dar atenção às pedrinhas?
Fernão Silveira | 26 de Maio de 2008, 10h53 | 3 Comentários »
por Fernão Silveira
Marketing pessoal é um termo que vem sendo utilizado constantemente nos dias de hoje. Pelo senso comum, fazer marketing pessoal significa “saber se vender†e mostrar aos outros quais são as suas competências, habilidades e conquistas. É claro que essa autopromoção, em essência, busca valorizar o profissional e incrementar sua empregabilidade.
Há quem defenda que cada profissional é um “produto†e deve “se vender†como tal, utilizando ferramentas do marketing para atrair a atenção dos outros e conquistar espaço no mercado (será que profissionais já têm “market shareâ€?). Nesse raciocÃnio, há até quem aplique, para si e para os outros, a clássica regra dos 4 P’s (Produto, Preço, Promoção e Praça/Ponto-de-venda, não necessariamente nessa ordem).
Particularmente, acho um pouco exagerada essa “produtização†do profissional – ainda acredito que uma pessoa é bem mais rica e complexa do que uma lata de extrato de tomate ou uma caixa de sabão em pó. Mas o marketing pessoal é importante, sim, para que o profissional coloque seus pontos fortes e conquistas a favor de sua carreira.
O marketing pessoal, basicamente, pode ser o fiel da balança para a promoção de um profissional não tão brilhante, em detrimento de outro mais capacitado e mais discreto. Afinal de contas, não basta ser um excelente técnico e altamente qualificado se você ficar escondido atrás da sua mesa. Quem não é visto não é lembrado, basicamente. E a habilidade nos relacionamentos é cada vez mais valorizada pelo mercado hoje (assim como a tão propagada inteligência emocional).
A mais recente edição do Jornal Carreira & Sucesso traz uma reportagem muito interessante sobre o tema, abordando com atenção o risco de um marketeiro pessoal tornar-se um chato de galochas, uma persona non grata por colegas e mesmo por superiores hierárquicos. Quer saber mais? Então, clique aqui.
E não deixe de ler a coluna de Leila Navarro nesta mesma edição do Jornal Carreira & Sucesso (número 347). Quer saber sobre qual tema ela fala? Clique aqui e descubra!
Fernão Silveira | 19 de Maio de 2008, 09h51 | 5 Comentários »
por Fernão Silveira
Para começar a semana em que comemoramos o Dia do Automóvel (13 de maio), nada mais adequado do que falarmos em… trânsito! Tudo bem que o Dia foi criado para lembrar e louvar a criação de uma das “maravilhas modernas†da Humanidade, para comemorar a existência de uma máquina que quebrou centenas de paradigmas e tornou-se indispensável (será mesmo??) à vida das pessoas… Mas será que temos o que comemorar?
A indústria automobilÃstica é pujante, inovadora, riquÃssima, geradora de empregos e renda como poucas. E a oferta de crédito que temos experimentado no Brasil, em condições talvez jamais vistas em nossa oscilante economia, tem ocasionado quebras seguidas de recordes de produção e venda de veÃculos. Bacana, mas…já está faltando onde colocar tanto carro!
As pessoas, em geral, reclamam demais do trânsito e se queixam da perda absurda de tempo que sofremos quando parados em congestionamentos. Mas não existiam muitos números – pelo menos não ao alcance do grande público – sobre os milhares de prejuÃzos causados pelo trânsito. Pois bem: agora há, para total satisfação e completo entendimento dos “idiotas da objetividade†(pego emprestada mais esta expressão genial do mestre Nelson Rodrigues).
Estudo do Citigroup, um dos maiores grupos financeiros do mundo, divulgado exclusivamente pelo portal UOL, mostra que o trânsito gera uma perda de 5% na produtividade do Brasil – piores que nós, na América Latina, só o México, que tem perda de 5,1%. A pesquisa aponta ainda os três motivos principais para a piora no trânsito das grandes cidades latino-americanas: excesso de veÃculos, mudança da classe alta das regiões centrais para o subúrbio das grandes cidades e transporte público ineficaz.
Pois é… Não há mais média ou grande cidade brasileira que não sofra de alguma forma com o entupimento das estradas, ruas e avenidas por tantos carros. Para ajudar, nossa estrutura de transporte público parece congelada no tempo, com soluções que talvez fossem adequadas há 20 e poucos anos.
Vai chegar o dia em que, como vaticinam os especialistas, cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Cidade do México, Buenos Aires e Santiago vão, simplesmente, parar. Simplesmente entupir, sem que qualquer objeto sobre quatro rodas consiga se locomover por mais de 200 metros. Será quase como uma imagem tirada de algum livro de José Saramago, mas de verdade – bem de verdade…
E você, já pegou o seu congestionamento hoje?
Fernão Silveira | 12 de Maio de 2008, 10h50 | 1 Comentário »
por Fernão Silveira
Já comentei em outro post, neste mesmo (e nobre) Catho Blog, que a liderança é um tema cada vez mais marcante e presente na literatura empresarial contemporânea. Como teoriza John C. Maxwell, o maior “legislador†de liderança do mundo (ele adora livros com leis sobre o tema…), antes as obras de negócios focavam na gestão e na parte técnica da Administração. Hoje, porém, as atenções estão fortemente voltadas ao fator humano, ao poder de influenciar e motivar pessoas – algo que é muito mais difÃcil, subjetivo (gestores e empresários odeiam e temem coisas subjetivas…) e desafiador do que as normas técnicas.
O Jornal Carreira & Sucesso, veÃculo quinzenal de notÃcias produzido pelo Departamento de Comunicação da Catho Online, publicou em sua última edição uma entrevista interessantÃssima com Betania Tanure, professora da Fundação Dom Cabral e uma das maiores especialistas em mundo corporativo que o PaÃs tem hoje (para ler a entrevista completa, clique aqui)
Pois a professora Betania, dentre as muitas coisas interressantes que abordou na entrevista à jornalista NaÃsa Modesto, falou sobre o “modelo brasileiro†de liderança, em contraponto à s idéias sobre o tema que encontramos nos livros de especialistas americanos (John C. Maxwell e James Hunter são dois dos principais).
Vale a pena reproduzir:
“(…) Hoje ficou claro, com a literatura americana de liderança, que os americanos abordam a questão de liderar partindo da idéia de como capturar o coração das pessoas, como fazer com que se envolvam mais afetivamente. Se formos seguir esta regra, [nós, brasileiros] não precisamos disso, já sabemos fazê-lo naturalmente. O que precisamos é até o contrário: como garantir a questão relacional sem que ela interfira negativamente na minha avaliação. O que a gente precisa é diferente do que eles estão pregando. Se não fizermos esta leitura crÃtica e nos adaptarmos, não desenvolveremos as habilidades necessárias para as nossas empresas.â€
Em minha opinião, a colocação da professora Betania Tanure é muito pertinente. Talvez pelas muitas diferenças culturais e comportamentais entre americanos e brasileiros, aqueles têm muito mais dificuldade em cativar e conquistar pessoas do que nós, que somos naturalmente afetuosos e emocionais (para o bem e para o mal, vale destacar). E é justamente por essa “latinidade†que podemos cair no pecado do paternalismo, do favorecimento, da injustiça e do exagero – enquanto os “frios†americanos e europeus têm muito mais foco e facilidade para aplicar corretamente um feedback e dar puxões de orelha, quando necessário.
(Parêntesis: a colocação acima me fez lembrar uma das centenas de regras de John Maxwell - “Não use um martelo para espantar uma mosca da testa de uma pessoaâ€. Quantas vezes os gestores não “erram a mão†e dão a um pequeno erro uma dimensão catastrófica, trágica, imperdoável? Pois é: isso significa espantar uma mosca [algo banal] da testa de uma pessoa com um martelo [de forma truculenta, inadequada e desnecessária]).
Liderança é um tema muito suculento… É sempre muito bom ler e discutir sobre ele! Você não acha??
Fernão Silveira | 5 de Maio de 2008, 12h18 | Nenhum comentário »
por Fernão Silveira
Pode até ser chavão, mas não deixa de ser a mais pura verdade: saber comunicar-se bem é importantÃssimo para um profissional que pretende fazer sucesso hoje em dia. E isso independe da carreira escolhida. Desde os publicitários e vendedores, que têm a comunicação como uma caracterÃstica básica, até os profissionais de carreiras mais “sisudasâ€, como os administradores e os engenheiros – ainda mais se considerarmos que estes últimos estão dominando atividades cada vez mais distantes da Engenharia (marketing, vendas, finanças, comunicação, logÃstica…)
As pessoas, em geral, atribuem boa comunicação à extroversão, mas isso não é verdade necessariamente. A desenvoltura e o “gosto pelos holofotes†não garantem boas habilidades (ou “skillsâ€, como está na moda dizer) de comunicação. O extrovertido pode muito bem sentir-se à vontade falando em público, mas pode ser péssimo na comunicação – ser cansativo e repetitivo, ter pouco vocabulário, cometer erros de português, não dominar o assunto sobre o qual está falando e por aà vai.
Já os tÃmidos, que geralmente são vistos como “ruins de comunicaçãoâ€, podem ser muito mais eficientes do que os extrovertidos, justamente por serem mais objetivos e focados nas mensagens que precisam transmitir – afinal, como não se sentem sossegados ao deixar a “zona de conforto†e lidar com estranhos, sabem que precisam ser eficazes com o mÃnimo de exposição possÃvel.
A boa comunicação nem sempre é eloqüente. Vale lembrar o ditado que prega: “uma imagem vale mais do que mil palavras 
Você quer algumas dicas para melhorar seus “skills†de comunicação e fazer bonito naquela apresentação da empresa (ou da faculdade) que tanto lhe amedronta? Assista a esta reportagem do Catho NotÃcias e confira as recomendações de um especialista no assunto!
Fernão Silveira | 28 de Abril de 2008, 12h18 | Nenhum comentário »
por Fernão Silveira
Confesso que não sou muito adepto da propagação de textos recebidos pela Internet, via e-mail. Mas me vejo abrigado a abrir uma exceção hoje, em respeito aos milhares de fiéis leitores do Catho Blog.
Recebi o texto em questão na semana passada, por e-mail, enviado por uma grande amiga. O artigo, assinado por Dany Mac Need, diretor-executivo de uma agência de propaganda da simpática e pujante Campinas (interior de São Paulo), fala sobre a “corporativÃssima trindade humanaâ€, formada por chefe – colaborador – cliente.
Num inteligente jogo de palavras e idéias, o autor mostra “outras realidades, pelos olhos de outra pessoa.†Ou seja: ele argumenta que a postura tradicionalmente atribuÃda ao chefe pode muito bem caber ao colaborador e/ou ao cliente. E por aà vai…
Vale a leitura do artigo abaixo (que o republico em sua Ãntegra, exatamente como o recebi). Cabe uma reflexão…
A CorporativÃssima Trindade Humana
Ser chefe é ser durão? É ser frio, difÃcil e intransigente? E ser colaborador? É ter que bater cartão, baixar a cabeça, manter a roda girando pra não perder o emprego? E ser cliente então? É estar sempre certo, receber recepções calorosas, sorrisos e braços abertos por onde passar, tapete vermelho e desconto e não aceitar erros?
Tudo isso é verdade em alguns nÃveis de entendimento, mas esqueça por um tempo que, contrariando nossos desejos inconfessáveis, o mundo resolve não girar em torno de nossos umbigos, e vamos analisar essa ‘corporativÃssima trindade humana’ CHEFE - COLABORADOR - CLIENTE.
Quebrando um dentre muitos paradigmas que permeiam as realidades que inventamos pra nós mesmos só para termos mais segurança, vamos pensar por um instante quem é quem nesse triângulo social.
Se você der um quarto de volta e puder enxergar outras realidades, pelos olhos de outra pessoa, poderá ver que pra ela ser chefe é ter que bater o cartão na empresa todos os dias, muitas vezes antes de todo mundo, não faltar, não ficar doente, baixar a cabeça para não perder o cliente e manter a roda girando pra não perder a própria empresa.
Ser colaborador é ter garantias, férias, bonificações, ter profissionais de RH lhe estendendo o tapete vermelho, oferecendo benefÃcios, cursos de aperfeiçoamento e não aceitar erros da empresa nem o mÃnimo deslize ou atraso.
Ainda enxergando pela mesma realidade que estava ao seu lado, poderá perceber que para muitos, ser cliente é ser frio, difÃcil, durão e intransigente com os que o atendem.
Se conseguir, depois de ter essa visão, quebrar mais um paradigma, vire mais uma vez e vai encontrar uma faceta do triângulo agora com mais uma percepção diferente: onde o ’ser chefe’ é estar sempre certo, é receber recepções calorosas e sorrisos abertos, gente se curvando enquanto ele desfila por um impecável e cintilante tapete vermelho.
Nesse aspecto ser colaborador é ser frio com os colegas, difÃcil com os coordenadores e intransigente com o departamento de RH. Por fim, ser cliente nessa ótica muitas vezes é ter que baixar a cabeça, aceitar um tratamento nada acolhedor, mofar em filas gigantescas e ainda ter que agradecer por ter sido ao menos atendido.
Você já parou pra pensar sob qual destes ângulos você encara o seu mundo? E já parou pra perceber que existem muitas outras realidades além das que você escolheu pra acreditar? Pois eu ainda vou te contar mais uma: todos nós somos CHEFES, COLABORADORES e CLIENTES ao mesmo tempo, basta mudar o contexto.
Muitos chefes agem como colaboradores quando o cliente da empresa é quem comanda. Esses mesmos chefes precisam tratar seus colaboradores como clientes, pois eles também assumem os papéis da razão onde o chefe é quem estende o tapete. Se nós todos, em algum momento, na empresa, na rua ou em casa, passamos pelos 3 ápices, seremos mais flexÃveis em nosso dia-a-dia.
Lembre-se que vai chegar uma determinada hora do dia que seremos o chefe e chegará também a vez de saber acompanhar ao invés de liderar. Com essa flexibilidade e compreensão, com certeza, encontraremos muito mais oportunidades de abrir um sorriso e os braços uns para os outros.
Dany Mac Need – Diretor-executivo da MacNeed´s Propaganda Campinas, agência campineira com 13 anos de mercado, que atende clientes da RMC, São Paulo, Ribeirão Preto e tem em seu portfólio trabalhos realizados para Riachuelo, Claro, Net, Boticário, Companhia das Ervas, Grupo Alpini, Pólo Arqdec, 100%VIDEO, entre outras grandes marcas. Contato: mac@macneeds.com.
Fernão Silveira | 14 de Abril de 2008, 11h42 | 1 Comentário »
por Fernão Silveira
Há 15 anos, mais ou menos, as seções de “Negócios†das livrarias eram dominadas por obras que tratavam sobre técnicas de gestão e administração. Hoje, pelo menos 80% dos livros voltados aos temas de negócios tratam sobre liderança. Por que será que isso acontece?
Segundo John C. Maxwell, conhecido como o maior treinador de lÃderes do mundo, e autor da reflexão que abre este post (confesso: a observação supracitada não é de minha autoria), há cerca de duas décadas havia uma grande preocupação com os processos. Ou seja: havia uma demanda muito grande por teoria para auxiliar na administração pura e simples, pensando, basicamente, em números, procedimentos, rotinas, normas e regulamentos.
Hoje, as técnicas e teorias de administração são muito mais acessÃveis e conhecidas. Coloquemos assim: o ferramental existe, só falta quem saiba manuseá-lo adequadamente… E é aà que entra a demanda tão grande por temas ligados à liderança e à gestão de pessoas.
Pelo menos é esta a visão de John C. Maxwell…
E eu concordo com ele – afinal, quem sou eu para discordar de um simpático consultor, professor, empresário e ex-pastor religioso de 61 anos, que já escreveu mais de 50 tÃtulos sobre liderança nos últimos 30 anos?
Concordo porque a linha de raciocÃnio de Maxwell faz muito sentido: a teoria dos livros não basta hoje em dia; o fator humano é o diferencial. E o mais agravante: a liderança é um diferencial muito difÃcil de alcançar, pois vai além da técnica pura e simples, visto que demanda fatores subjetivos (porém vitais) como experiência, bagagem cultural, vivência, habilidade no relacionamento interpessoal, disposição para sacrifÃcios extras, humildade para o aprendizado constante, paciência, preocupação sincera com o próximo e talento.
Ainda antes de autores como Maxwell e James Hunter (autor de “O Monge e o Executivoâ€, outra obra contemporânea de referência sobre liderança), ainda antes da atenção (até exagerada, em alguns momentos) dada ao tema, Peter Drucker – o pai da Administração moderna – já refletia sobre liderança e avisava aos seus privilegiados leitores: não são máquinas, produtos ou propagandas que fazem uma empresa; são as pessoas que nela trabalham.
Será que alguém discorda de Drucker?
Pode parecer óbvio, especialmente hoje em dia, mas demorou muito tempo para empresários e gestores perceberem que máquinas e sistemas não produzem sozinhos, pois precisam de…gente. E a liderança é vital para conduzir esse fator tão complexo chamado ser humano.
Qual a sua opinião sobre o tema? Deixe o seu comentário e participe!
Fernão Silveira | 7 de Abril de 2008, 14h59 | 1 Comentário »
por Fernão Silveira
Infelizmente, demitir faz parte do jogo corporativo. Tudo bem que há pessoas que sentem um certo prazer sádico em fazer isso, mas assumir o papel ativo no delicado processo de desligamento de um profissional – ou seja: dar a notÃcia a quem será dispensado – está longe de ser uma tarefa fácil.
O jornal Estilo & Gestão RH, noticiário da Catho Online voltado a profissionais interessados em temas de gestão e recursos humanos, fez em sua última edição uma reportagem muito interesse sobre a ingrata tarefa de demitir.
Um depoimento interessante sobre o tema foi dado na reportagem por Marco Antônio Fagundes, sócio e responsável pela área de gestão de pessoas da Quark (empresa de automação industrial):
- “Tem aquela [demissão] que é feita por mau desempenho, mau comportamento. Essa, geralmente, é menos doÃda para quem faz a demissão, apesar de que sempre é desagradável. Complicada mesmo é aquela demissão quando você acha que a pessoa é um bom profissional, mas você precisa cortar alguém. Então, você opta por cortar um funcionário que, muitas vezes, em termos de desempenho, era satisfatório. Essa dói mais. Mas eu sempre procuro fazer de maneira direta, objetiva e sem firulas”
Quer saber mais sobre o tema? Então, clique aqui e boa leitura!
Fernão Silveira | 31 de Março de 2008, 14h22 | 1 Comentário »
por Fernão Silveira
A questão que dá tÃtulo a este post sempre me intrigou. Afinal de contas, o que é melhor: procurar aperfeiçoar-se nos pontos que lhe são fracos ou investir todas as fichas naquilo que já se faz bem, para se tornar ainda melhor? Hummm… Eis o dilema!
Em minha trajetória nas artes marciais, que já passa largamente de uma década, sempre ouvi de meus senseis que é preciso aperfeiçoar-se nos pontos fracos. Se você é destro, treinará 10 chutes com a perna direita e 20 com a esquerda. Se você é melhor em determinada técnica, treinará duas vezes mais a outra em que você não é tão bom… Só assim será possÃvel tornar-se “completo†(ou o mais perto disso possÃvel).
Mais recentemente, em minha edificante experiência com Comunicação para a área de Recursos Humanos (mais especificamente em carreiras e mercado de trabalho), deparei-me com correntes distintas – mas não menos pertinentes – de pensamento sobre esse tema. Em linhas gerais, elas dizem: esqueça as suas deficiências (pontos de melhoria ou “gapsâ€, como gostam de dizer os profissionais de RH) e foque em seus pontos fortes.
John C. Maxwell, o maior especialista em liderança da atualidade, diz o seguinte: “Se você desenvolver aquilo que já faz bem, tende a tornar-se excelente. Se você perde tempo treinando para desenvolver algo que não é o seu talento natural, conseguirá se tornar, no máximo, mediano. Mas ninguém paga pelo mediano! Ninguém quer gastar um tostão com o ‘mediano’! Portanto, invista para tornar-se único e excelente no que você faz melhor.â€
O palestrante motivacional e escritor Luis Paulo Luppa, criador do conceito “Vendedor Pit Bullâ€, disse o seguinte em uma interessante entrevista ao Jornal Carreira & Sucesso (clique aqui para ler a Ãntegra): “O maior defeito das empresas que eu observo hoje é que elas pegam uma pessoa que é fraquinha e treinam muito - um cara que é fraquinho, quando você treina, vira um fraco (…). As empresas têm de investir nos pontos fortes de cada um, e não ficarem preocupadas com os pontos fracos. É a mesma coisa se um técnico quiser treinar a perna direita do Maradona. Não faz sentido, porque o que ele faz com a esquerda ele faz muito bem.â€
O exemplo do Maradona – tudo bem que ele era gênio com a esquerda (seu pé forte), com a direita (seu pé “fracoâ€), com a cabeça e até com as mãos (que o digam os ingleses, eliminados pela sua “mano de Dios†na Copa de 86) – é bastante interessante e ilustrativo, em minha opinião.
Pensando bem, as palavras de Maxwell são largamente aplicáveis à minha realidade: por mais que eu estudasse e me esforçasse, jamais passaria de um aluno nota C em Matemática ou FÃsica. Porém, sempre tive afinidade e talento para as Humanidades, especialmente Português e História. Por isso, investi no Jornalismo – mesmo sabendo que o mercado de trabalho é eternamente ávido por engenheiros.
E você, o que pensa? Generalista ou especialista? Ser um ambidestro razoável ou ter a perna esquerda do Maradona? Gostaria de saber a sua opinião…
Fernão Silveira | 24 de Março de 2008, 10h28 | 14 Comentários »
por Fernão Silveira
Fiquei surpreso com a excelente receptividade que o tema “liderança†encontrou junto ao público leitor do nosso Catho Blog. Então, cabe falarmos mais a respeito do assunto!
Liderança é influência:
Este é quase um mantra para John C. Maxwell e seus seguidores. Na concepção do estudioso americano, conhecido como o maior treinador de lÃderes do mundo, o grande poder da liderança está longe do poder em si. Parece contraditório, mas faz todo sentido.
A “liderança posicionalâ€, aquela que parte do “chefe†- do cara que diz “Façam o que eu mando porque sou eu que mando!†-, é incompleta e traz resultados momentâneos (quando muito). Aliás, é comum as empresas apostarem na figura do “bombeiroâ€: aquele (ou aquela) executivo(a) linha dura, que entra na companhia (ou em um departamento) para “apagar incêndiosâ€, chutando portas, falando palavrões e demitindo pessoas.
Geralmente, esses “bombeiros†são acionados para a obtenção de resultados instantâneos, de gestão ou de vendas (principalmente). É aquele gestor em que a direção da empresa deposita todas as fichas para a solução de um problema persistente e incômodo. Dotado de carta branca, ele (ou ela) faz o que considera necessário para trazer os resultados esperados, custe o que custar.
Talvez nesse ponto esteja a grande diferença entre o lÃder e o chefe. É bem possÃvel que ambos tragam os resultados de curto prazo desejados, apagando o “incêndio†que existia antes. Sem liderança, porém, os resultados imediatos conquistados – aqueles números para os quais os donos da empresa olham e dizem: “Viu só? Basta apertar esses molengas que a coisa anda…†– tem pouquÃssimas chances de persistir. E isso acontece porque apenas um lÃder consegue comprometer uma equipe de forma harmoniosa e sadia em busca de um objetivo comum, a longo prazo, mesmo sob as condições menos favoráveis. Sob pressão, “na porradaâ€, as resistências logo são vencidas e os problemas do passado tendem a reaparecer ainda mais fortes.
Vale refletir!
Liderança em vÃdeo:
Para saber mais sobre liderança, sugiro que você assista a esta reportagem muito bacana que a repórter NaÃsa Modesto fez com John C. Maxwell.
Fernão Silveira | 17 de Março de 2008, 11h39 | 2 Comentários »
por Fernão Silveira
No último final de semana, eu tive a oportunidade de conversar com um velho amigo que há muito tempo não via. Sabia que ele havia sido – merecidamente, diga-se – promovido a gerente na multinacional em que ele trabalha, mas não havÃamos falado de sua conquista até então.
Em determinado ponto da conversa, falávamos sobre como temos deixado a qualidade de vida de lado para poder galgar degraus na carreira – é verdade: este amigo, que sempre foi bem magro, já ostenta uma barriguinha razoável por conta das horas a mais de trabalho, das viagens, do sedentarismo e das refeições totalmente desregradas.
E ele, recém-promovido a gerente de uma das maiores e mais famosas empresas do mundo, com negócios nas mais diversas áreas, reclamava que cada vez tinha menos tempo para ele (inclusive para nós, amigos dele).
E eu perguntei: “Cara, está valendo a pena? Pelo dinheiro, pela ascensão profissional…”
E ele respondeu: “Pois é, tenho pensado nisso… Por enquanto, acho que ainda vale, sim. Mas não sei por quanto tempo valerá… Sei que vai chegar uma hora em que vou querer diminuir o ritmo. Penso até em prestar um concurso público para ganhar um salário mais baixo, mas que me permita viver razoavelmente bem… Sei lá…”
E este amigo tem apenas 28 anos…
Recentemente, deparei-me com uma frase atribuÃda ao Dalai Lama (não sei se é dele mesmo…) que é bastante interessante. Vale a pena pensar:
“Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente e nem o futuro. Vivem como se nunca fossem morrer, e morrem como se nunca tivessem vivido.”
Quantos de nós não vivemos assim hoje em dia por causa das exigências profissionais?
É claro que temos de nos dedicar profissionalmente e fazer o melhor possÃvel para construirmos uma ótima carreira. Mas precisamos tomar cuidado para que nossa saúde, fÃsica e mental, permita que aproveitemos todos os benefÃcios que conquistarmos com nosso trabalho. Do contrário, o que terá valido trabalhar tanto?
Fernão Silveira | 10 de Março de 2008, 11h12 | 4 Comentários »
por Fernão Silveira
Passou pelo Brasil, na semana passada, o professor e escritor norte-americano John C. Maxwell, conhecido como o maior treinador de lÃderes do mundo. Ele é autor de mais de 50 tÃtulos sobre o tema e já vendeu mais de 13 milhões de cópias ao redor do planeta.
Em palestra proferida na Câmara Americana de Comércio (Amcham), entre um livro vendido e outro, Maxwell transmitiu alguns conceitos interessantes a respeito de liderança. Vale a pena refletir…
- LÃder não é aquele que cruza primeiro a linha de chegada. LÃder é aquele que cruza a linha de chegada junto de seus liderados.
- Se o lÃder se sente sozinho, ele está fazendo alguma coisa errada. O verdadeiro lÃder mantém seus liderados perto de si, inclusive quando está galgando posições.
- Liderança se constrói diariamente, mas não de um dia para o outro. O lÃder deve se preparar constantemente - lendo livros, estudando, tendo contato com outros lÃderes. É o que Maxwell chama de “Lei do Processo†(desenvolver atitudes de liderança como um hábito, diariamente).
- Portanto, é um erro pressupor que é preciso alcançar um cargo de chefia (que demanda algum grau de liderança) para só daà se preparar e aperfeiçoar como lÃder. O compromisso e a disposição de aprimorar-se são caracterÃsticas inerentes ao lÃder.
- Chefia não significa, necessariamente, liderança. Aliás, muitos lÃderes não estão em posição de chefia, estão no “meio da pirâmideâ€.
- Um lÃder bem preparado que ocupe posições intermediárias na escala hierárquica de uma empresa tem plenas condições de influenciar todos à sua volta (os que estão abaixo, os que estão no mesmo nÃvel e aqueles que se encontram em posições superiores). É o que Maxwell conceitua como “LÃder 360ºâ€.
- Liderança não significa liberdade e privilégios, como muitos supõem. Pelo contrário: liderança só intensifica o compromisso e a responsabilidade que o lÃder tem junto a seus liderados.
- Uma das chaves da liderança é o relacionamento. O lÃder tem de se relacionar com todos, desde as pessoas mais agradáveis até os colegas e superiores mais difÃceis de lidar.
Fernão Silveira | 3 de Março de 2008, 11h00 | 9 Comentários »
por Fernão Silveira
Confesso: sou um fã de longa data deste cara. Estou falando do tenista (ex-profissional) Fernando Meligeni, o Fininho, um dos caras mais “gente boa†que o esporte brasileiro já conheceu.
Além de bom jogador – nada de comparações com Guga ou outros monstros do tênis mundial, okay? -, Fininho sempre foi um exemplo de paixão e superação. Apesar de nunca ter se mantido entre os “tops†do mundo, Meligeni se caracterizava pela raça, pela entrega, pelo empenho. Ele não vendia barato um ponto sequer…
Quem teve o prazer de assistir à decisão pela medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo-2003, em que ele derrotou o chileno Marcelo RÃos (ex-número 1 do mundo) numa partida épica, sabe do que eu estou falando. (Confesso mais uma vez: esta foi uma das coberturas em que eu, então jornalista esportivo, mais vibrei e torci em toda a minha carreira!)
Pois Fininho, em seu blog, escreveu um post muito bacana nos últimos dias. É um relato sobre o dia em que ele, argentino de nascimento, “tornou-se brasileiro†de vez. E isso ocorreu quando ele teve a coragem de rejeitar um convite de Guillermo Villas (uma verdadeira lenda do tênis argentino) para defender a seleção alviceleste na Copa Davis.
“Willi [Guillermo], não sei como te dizer, mas não posso aceitar o seu convite [para jogar pela Argentina]. Vou jogar pelo Brasil. É ali que está o meu coração. Não sei quando, mas vou entrar na quadra pelo Brasilâ€, respondeu Fininho, que abriu mão da chance de disputar um dos torneios mais importantes do tênis mundial porque tinha certeza, no fundo de sua alma, que um dia o Brasil também chegaria lá e daria a ele a oportunidade de jogar a “Copa do Mundo do tênis†– o que efetivamente aconteceu, pouco mais tarde.
Para mim, o relato do Fininho tem mensagens muito legais, que podem ser aplicadas às carreiras e às vidas de todos nós. Então, aproveite a leitura.
Fernão Silveira | 25 de Fevereiro de 2008, 16h20 | Nenhum comentário »
por Fernão Silveira
Antes de contar a historinha, vamos à moral dela: jamais renegue o seu talento e dedique-se, com afinco e fé, ao desenvolvimento de suas habilidades e seus amores. Não há caminho mais fácil e certo para o sucesso.
Agora, a história…
Astor Piazzolla (1921-1992) é o maior nome do tango moderno e um dos mais brilhantes músicos que a América Latina conheceu no Século XX.
Músico completo, porém célebre por seu caso de amor com o bandonéon (instrumento semelhante ao acordeão brasileiro), Piazzolla é o criador do “Tango Nuevo” (Tango Novo), que representou uma modernização do mais famoso gênero musical da Argentina.
Mas, como todo visionário, Piazzolla custou a ser compreendido e reconhecido por seus pares. Nas décadas de 1940 e 1950, enquanto ele construÃa a revolução do “Tango Nuevo”, foi muito criticado pelos puritanos do estilo por modernizar a música tÃpica argentina, aproximando-a do jazz. “O que ele faz não é tango”, metralhavam seus crÃticos.
Seu patrão na época, o lendário maestro AnÃbal “El Pichuco” Troilo (outro gênio do tango), obrigava-o a “pegar leve” nos solos de bandoneón, pois suas extravagâncias musicais estavam espantando os dançarinos das pistas.Â
Mas Piazzolla era um músico brilhante. Em 1954, ele venceu um concurso musical promovido pelo governo francês e ganhou uma bolsa de estudos, em Paris, com a mais famosa pedagoga musical da época, a professora e maestrina Nadia Boulanger.
Em Paris, diante da célebre professora, um desiludido e criticado Piazzolla fez de tudo para esconder seu “passado tangueiro”, dedicando-se apenas à música clássica – ele também compunha peças para orquestras. Até o dia em que ele apresentou para a professora seu tango “Triunfal”.
Nadia Boulanger, mostrando por que era a principal pedagoga musical de sua época, deu a seguinte recomendação após ouvir uma das obras-primas de seu novo aluno: “Astor, suas obras eruditas são bem escritas, mas aqui [no tango] está o verdadeiro Piazzolla. Não o abandone nunca!”
E a história mostrou que Nadia Boulanger tinha razão…
Para concluir: quantos de nós, diante das crÃticas e dificuldades, não caÃmos na tentação de fraquejar e abandonar sonhos ou renegar talentos? Quantos de nós não desistem de seus “tangos” no meio do caminho por causa das adversidades que a vida nos impõe?
Cada um tem o seu “tango”. Lute o quanto puder para preservá-lo.
Fernão Silveira | 18 de Fevereiro de 2008, 10h31 | Nenhum comentário »