Matéria publicada na Gazeta Mercantil, por Clayton Melo e Neila Baldi.
São Paulo, 17 de Abril de 2009 – Quando tinha 17 anos, Yentl Delanhesi – hoje com 21 – era uma jovem indecisa sobre seu futuro profissional: não sabia se cursaria administração, jornalismo ou designer. Como já era uma internauta contumaz, decidiu partir para uma área que abrangesse seu gosto pela web. Resumo da ópera: ingressou no curso de graduação em Comunicação Digital ministrado na Unisinos, em São Leopoldo (RS). Hoje ela trabalha no setor de planejamento e criação da agência de marketing digital Cubo cc, em São Paulo.
“Quando entrei para a faculdade, não sabia no que desejava trabalhar, mas estava segura de que estava indo para um setor adequado ao meu perfil”, diz Yentl.
A história de Yentl serve como ponto de partida para uma análise sobre a formação profissional no mercado de internet. Casos como o dela, que fez uma graduação na área, são raros, pois quase não há cursos desse tipo voltados ao digital no Brasil. Assim, a alternativa encontrada pelas empresas interativas é formar suas equipes internamente ou bancar total ou parcialmente os poucos cursos rápidos direcionados à área, geralmente oficinas de curta duração ou cursos de especialização, feitos em um e dois anos.
Ainda assim, o PaÃs se defronta com a escassez de mão de obra especializada.
A crÃtica das agências é que as instituições de ensino superior se mostram incapazes de suprir a demanda não apenas no quesito quantidade, mas também no da qualidade – nem todo os cursos disponÃveis formariam profissionais de maneira ideal. As escolas, por sua vez, alegam que tentam modernizar ou criar cursos em sintonia com as transformações da sociedade.
“Há uma lacuna: ou existem profissionais mais experientes, mas sem conhecimento sobre meio digital, ou jovens sem visão de negócio”, afirma Amyris Fernandez, diretora da Universidade Corporativa da AgênciaClick. Isso porque, segundo ela, a formação acadêmica ainda está calcada em um modelo acadêmico antigo. “Assim, aparecem vários cursinhos, pejorativamente falando”.
Projeto
Pedro Cabral, presidente para a América Latina da rede internacional de agências Isobar – controladora da AgênciaClick -, ressalta que a companhia investe na qualificação de suas equipes. “Não montamos uma universidade acadêmica, mas corporativa. Temos cursos que levam a uma formação objetiva, que formam as pessoas para as questões do nosso trabalho, como designers, gestores de projetos, mÃdia, desenvolvimento de negócios”, afirma Cabral. Ele avalia, no entanto, que só o domÃnio técnico não é suficiente. “As pessoas precisam investir na formação de longo prazo”, reforça. Ele se refere a cursos que ofereçam uma formação geral mais ampla, como mestrados, ou que propiciem experiências internacionais, por exemplo.
Os projetos de formação da companhia não param por aÃ. Uma parceria entre e AgênciaClick e a Fundação Getúlio Vargas (FGV) resultou, no meio do ano passado, no curso de Comunicação com o Mercado através de MÃdias Digitais. “O mundo digital é profundamente diferente do que estávamos acostumados. Agora, há a possibilidade de interação. Por outro lado, está em metamorfose constante e em altÃssima velocidade”, lembra Jaci Corrêa Leite, coordenador do curso.
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