por Fernão Silveira
Responda rápido: quando lhe perguntam (pense numa entrevista de emprego…) quais são os seus maiores defeitos, o que você responde? Ah, e você é sincero? (Não me venha com respostas como: “Sou perfeccionista!†ou “Trabalho demais! )
Pois é, nunca é fácil falarmos sobre os nossos próprios defeitos e fraquezas. A mais recente edição do Jornal Carreira & Sucesso traz uma interessante entrevista com o consultor, educador e colunista (das revistas Você S/A e Viver Bem) Eugenio Mussak, que destaca o “lado humano†como a parte mais deficiente dos profissionais. Veja só:
Há uma pesquisa que dá conta de que 80% das pessoas que são demitidas da organização por “culpa própria”, e não por “culpa da organização”, perdem o emprego por deficiências humanas, e não técnicas. Dificuldade de comunicação, de aceitar cobranças, de exercer liderança… Concordo plenamente com isso. Acho que o lado humano ainda é o calcanhar de Aquiles dos profissionais. A parte técnica é mais simples e o lado humano implica em desenvolvermos algumas qualidades de comportamento, caráter adequado aos valores da organização e da sociedade.
Confesso que jamais havia parado para pensar nisso, pelo menos não com esse ponto de vista. A parte técnica é, sim, mais fácil de atender. O mais complicado é encontrar profissionais que conciliem a parte técnica do trabalho com aspectos “simples†de gestão, liderança e convivência humana (sim: educação, flexibilidade, cortesia, respeito pelo espaço alheio, ética…), que não se aprendem nas escolas. É por isso que as empresas estão cada vez mais sedentas por colaboradores multidisciplinares, com visão estratégica de negócio e forte apelo humano (algo fácil de achar, né?).
Isso me lembra uma reflexão que ouvi, há alguns meses, de John C. Maxwell, conhecido como o maior treinador de lÃderes do mundo e uma das maiores autoridades sobre liderança da atualidade. O especialista americano observa que há duas décadas, mais ou menos, a “literatura de negócios†era majoritariamente focada em aspectos técnicos e ferramentais: marketing, administração, finanças, vendas, planos de negócios. Hoje, porém, os livros são muito mais voltados aos aspectos humanos e comportamentais: liderança, trabalho em grupo, inteligência emocional, comunicação interpessoal, relacionamentos com colegas e superiores.
Mas por quê?
Em minha opinião, justamente porque chegamos a uma época em que o nÃvel técnico dos profissionais é muito parelho – há cada vez mais escolas, em cada vez mais lugares, ensinando as mesmas coisas a milhares de jovens inteligentes, talentosos e cheios de energia. Assim, cada vez mais, o diferencial está no aspecto humano, na inteligência emocional e organizacional. E isso é dificÃlimo de “padronizarâ€, por mais livros e cursos sobre o tema que possam existir no mercado.
O que você acha disso? Deixe aqui o seu comentário!!
| 16 de Junho de 2008, 15h49 | 13 Comentários »