por Fernão Silveira
Na semana passada, em evento muito interessante da Catho Consultoria em RH, tive a oportunidade de assistir à palestra de Luciano Pires, o ex-diretor de multinacional que mudou radicalmente sua vida após realizar um sonho antigo: chegar ao acampamento-base do Monte Everest, a mais de 5 km de altura.
Dentre as muitas coisas interessantes que Luciano expõe em sua palestra, que é recheada de valiosas lições de vida, ele fala sobre problemas. Ou supostos problemas, pois até esse conceito ele nos faz questionar.
Para começar, ele lembra um ditado muito pertinente: “Ninguém tropeça em montanhas, tropeça em pedras pequenasâ€. E é a mais pura verdade, pois geralmente nos preocupamos com megaproblemas e conjunturas cósmicas (!!) que não dependem de nossa força ou vontade – e, pior ainda, jamais vão nos atingir.
Ao falar desses problemas, os imaginários e os reais, Luciano Pires lembra de sua preparação para escalar o Everest. Ele conta que se preocupou com “tudoâ€: o equipamento, as cinco camadas de “roupas técnicas†para encarar tempestades de neve e frio abaixo de – 15º C, o Mal da Montanha (problema que não raramente leva aventureiros à morte em escaladas), os guerrilheiros maoÃstas, o aeroporto (se é que se pode chamar aquilo de aeroporto…) entre as montanhas onde pousam os aviões dos aventureiros… Tudo! Será mesmo??
Pois o palestrante-aventureiro não contava com um problema aparentemente pequeno, porém real e imediato, que passou à margem de seu amplo planejamento para a grande aventura: como ir ao banheiro no Everest. Luciano admitiu que estava pronto para tudo (ou quase tudo), menos para encarar as fossas improvisadas e as agruras de cuidar das necessidades mais básicas do ser humano em condições altamente adversas. “Isso quase me matou lá no Everest!â€, lembra o palestrante, arrancando risos da platéia.
Depois da aventura, Luciano trouxe a seguinte lição: todos os “grandes problemas†(as montanhas), na verdade, estavam 100% sob controle – ele tinha os equipamentos certos e sabia usá-los, estava ciente das condições para minimizar os efeitos da altitude e evitar o Mal da Montanha, estava acompanhado por guias que conheciam os melhores caminhos do Everest e sabiam evitar os trechos tomados por guerrilheiros maoÃstas. A única coisa para a qual ele não estava totalmente preparado era algo aparentemente banal (uma “pedrinhaâ€), quase indigno de ser previsto no planejamento de um grande aventureiro (será que Indiana Jones se preocupou com banheiros em algum momento de sua vida fantástica?).
Pois é, caro(a) leitor(a). Ninguém tropeça em montanhas, até porque nós sabemos onde elas estão e conseguimos visualizá-las muito bem. Mas por que será que ainda nos preocupamos tanto com elas e deixamos de dar atenção às pedrinhas?
| 26 de Maio de 2008, 10h53 | 3 Comentários »