por Fernão Silveira
Já comentei em outro post, neste mesmo (e nobre) Catho Blog, que a liderança é um tema cada vez mais marcante e presente na literatura empresarial contemporânea. Como teoriza John C. Maxwell, o maior “legislador†de liderança do mundo (ele adora livros com leis sobre o tema…), antes as obras de negócios focavam na gestão e na parte técnica da Administração. Hoje, porém, as atenções estão fortemente voltadas ao fator humano, ao poder de influenciar e motivar pessoas – algo que é muito mais difÃcil, subjetivo (gestores e empresários odeiam e temem coisas subjetivas…) e desafiador do que as normas técnicas.
O Jornal Carreira & Sucesso, veÃculo quinzenal de notÃcias produzido pelo Departamento de Comunicação da Catho Online, publicou em sua última edição uma entrevista interessantÃssima com Betania Tanure, professora da Fundação Dom Cabral e uma das maiores especialistas em mundo corporativo que o PaÃs tem hoje (para ler a entrevista completa, clique aqui)
Pois a professora Betania, dentre as muitas coisas interressantes que abordou na entrevista à jornalista NaÃsa Modesto, falou sobre o “modelo brasileiro†de liderança, em contraponto à s idéias sobre o tema que encontramos nos livros de especialistas americanos (John C. Maxwell e James Hunter são dois dos principais).
Vale a pena reproduzir:
“(…) Hoje ficou claro, com a literatura americana de liderança, que os americanos abordam a questão de liderar partindo da idéia de como capturar o coração das pessoas, como fazer com que se envolvam mais afetivamente. Se formos seguir esta regra, [nós, brasileiros] não precisamos disso, já sabemos fazê-lo naturalmente. O que precisamos é até o contrário: como garantir a questão relacional sem que ela interfira negativamente na minha avaliação. O que a gente precisa é diferente do que eles estão pregando. Se não fizermos esta leitura crÃtica e nos adaptarmos, não desenvolveremos as habilidades necessárias para as nossas empresas.â€
Em minha opinião, a colocação da professora Betania Tanure é muito pertinente. Talvez pelas muitas diferenças culturais e comportamentais entre americanos e brasileiros, aqueles têm muito mais dificuldade em cativar e conquistar pessoas do que nós, que somos naturalmente afetuosos e emocionais (para o bem e para o mal, vale destacar). E é justamente por essa “latinidade†que podemos cair no pecado do paternalismo, do favorecimento, da injustiça e do exagero – enquanto os “frios†americanos e europeus têm muito mais foco e facilidade para aplicar corretamente um feedback e dar puxões de orelha, quando necessário.
(Parêntesis: a colocação acima me fez lembrar uma das centenas de regras de John Maxwell - “Não use um martelo para espantar uma mosca da testa de uma pessoaâ€. Quantas vezes os gestores não “erram a mão†e dão a um pequeno erro uma dimensão catastrófica, trágica, imperdoável? Pois é: isso significa espantar uma mosca [algo banal] da testa de uma pessoa com um martelo [de forma truculenta, inadequada e desnecessária]).
Liderança é um tema muito suculento… É sempre muito bom ler e discutir sobre ele! Você não acha??
Fernão Silveira | 5 de Maio de 2008, 12h18 | Nenhum comentário »