por Leonardo Dias
Evandro queria sair de sua empresa atual. Era uma empresa de tecnologia de pequeno porte, com poucos clientes que traziam muito dinheiro, mas grande parte era para o dono. Evandro, principal analista de tecnologia da informação da empresa, não estava satisfeito nem com o salário que recebia, nem com o clima ruim no trabalho proporcionado pela estupidez do diretor e dono da empresa.
A melhor forma seria ser demitido. Para isso, entretanto, ele teria de começar a agir como um mau funcionário, chegando atrasado e não entregando projetos. Não era uma boa idéia, pois isso poderia afetar a sua carreira em futuras referências.
Outra forma seria pedir diretamente ao diretor, Sr. Manuel, para que ele o demitisse. Mas sabia que isso não iria acontecer: a empresa dependia demais de Evandro, e o diretor não o mandaria embora simplesmente porque ele queria.
Uma terceira forma era simplesmente começar a procurar emprego. Evandro passaria muito tempo no telefone agendando entrevista e teria de sair mais cedo e chegar mais tarde alguns dias por causa das entrevistas.
Seria o suficiente para o Sr. Manuel mandá-lo embora. No entanto também havia o risco do diretor começar a dar-lhe advertências e ameaçar a demissão por justa causa, a pior das hipóteses.
Foi então que, decidido, levantou-se com tudo de sua cadeira e foi em direção à sala do diretor. Seus olhos brilhavam. Foi logo entrando de uma vez e foi dizendo:
- Eu preciso de um aumento.
- Agora não dá.
- Eu preciso. O mercado está pagando muito mais para o meu cargo. Já tive propostas e não aceitei, outra vez. Mas agora é necessário.
- Não tem como.
- Tudo bem. Então a partir de hoje eu vou começar a procurar um novo emprego.
- O que?
- É isso mesmo. Vou procurar um novo emprego. Vou cumprir com as minhas responsabilidades aqui, mas também vou procurar um novo emprego. Obrigado.
E saiu da sala. Muitas pessoas podem questionar essa atitude de Evandro. Será que ele fez o certo?
Fez sim. Evandro sempre trabalhou com lógica e, dessa vez, não foi diferente. Não importava para ele. Qualquer uma das alternativas faria com que ele ganhasse o jogo. Foi como um xeque-mate: não havia opções que pudessem salvar o rei. No caso, o diretor.
Se ele quisesse demitir o seu analista, sem problemas: era o que ele queria. E se deixasse-o procurar emprego, sem problemas também. Não poderia demitir um funcionário por justa causa por excesso de honestidade. E também não há como forçar um funcionário a pedir demissão, ainda mais um determinado a conseguir o que quer.
Foi com essa jogada que Evandro ganhou o jogo - e, de quebra, um novo e melhor emprego.
Leonardo Dias | 19 de Abril de 2008, 09h09
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