por Leonardo Dias
Asgard era uma empresa de comunicação que enfrentava alguns problemas. Há anos a empresa mantinha-se no mesmo patamar, sempre conquistando novos clientes de acordo com que antigos clientes saÃam. O seu dono e diretor, João Batista, não sabia muito bem o que acontecia com ela. Pensava que a empresa enfrentava uma espécie de virose corporativa, uma doença do sono africana que a impedia de acordar e agir devidamente.
Resolveu contratar uma empresa de consultoria estratégica para resolver o problema. Um consultor especializado analisou os processos e as pessoas da empresa pelo perÃodo de um mês. O seu objetivo era encontrar o que havia de errado e o que havia de certo, pois as duas coisas teriam que melhorar. João estava apreensivo com os possÃveis resultados, pois provavelmente teria que mudar tudo. E de fato, o diagnóstico não foi nada bom.
O consultor marcou com João uma reunião confidencial para apresentar os resultados somente a ele. Aà João descobriu uma série de coisas que nem imaginava. Dentre elas:
- grande parte dos funcionários da comunicação estavam desmotivados;
- a área comercial não interagia com a área de comunicação, o que tem gerava problemas nos resultados dos trabalhos nos últimos dois anos;
- o clima da empresa não estava bom, com muitas pessoas acreditando que a empresa sofreria cortes drásticos nos próximos meses, o que criou um clima acirrado — e desnecessário naquele momento — de competitividade;
- funcionários com problemas respiratórios tinham suas mesas próximas da área de fumantes ou do ar condicionado, o que fazia com que muitos deles adoecessem desnecessariamente;
- pelo menos em três funcionários foi detectada a necessidade de tratamento para depressão e ansiedade graves. Eram bons profissionais cujos resultados recentes deixavam muito a desejar, o que tornaria melhor recuperá-los do que demiti-los;
- muitas equipes dependentes uma da outra sequer conversavam ou trocavam email, havia a falta de uma central para que a informação pudesse ser compartilhada e idéias pudessem ser trocadas;
- a comunicação com o cliente estava precária porque as pessoas responsáveis por fazer o atendimento ao cliente não tinham a experiência necessária ou o treinamento adequado
- por último: o diretor nunca estava próximo para ver os problemas e preferia soluções rápidas para os efeitos em vez de efetivamente combater as causas.
João Batista quase caiu para trás ao ouvir tudo isso. Não porque era impressionante, e sim porque era simples. Não era tão difÃcil assim resolver o problema. Bastava que ele interviesse mais nos processos e atuasse mais diretamente, sem deixar a solução das causas dos problemas para depois.
Sem falar que nunca havia tido a percepção de que a saúde de funcionários-chave é essencial para a boa saúde de toda a empresa.
Diante dessa nova visão, João mudou totalmente a forma com que a sua empresa trabalhava. Integrou equipes, diminuiu gastos, ampliou investimentos na saúde dos funcionários, fez um levantamento dos doentes crônicos da empresa e mapeou os processos de forma a criar novas interações, diminuir custos e ampliar resultados. Em seis meses a sua empresa estava finalmente curada e rumo à liderança em seu segmento. O que faltava antes? O diagnóstico. Por vezes temos uma doença que imaginamos que não vai se curar, no entanto quando descobrimos efetivamente a causa, a cura acaba transformando-nos em outra pessoa.
E você, leitor? Diagnosticou as causas dos seus problemas hoje?
Leonardo Dias | 4 de Abril de 2008, 16h25
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