por Fernão Silveira
A questão que dá tÃtulo a este post sempre me intrigou. Afinal de contas, o que é melhor: procurar aperfeiçoar-se nos pontos que lhe são fracos ou investir todas as fichas naquilo que já se faz bem, para se tornar ainda melhor? Hummm… Eis o dilema!
Em minha trajetória nas artes marciais, que já passa largamente de uma década, sempre ouvi de meus senseis que é preciso aperfeiçoar-se nos pontos fracos. Se você é destro, treinará 10 chutes com a perna direita e 20 com a esquerda. Se você é melhor em determinada técnica, treinará duas vezes mais a outra em que você não é tão bom… Só assim será possÃvel tornar-se “completo†(ou o mais perto disso possÃvel).
Mais recentemente, em minha edificante experiência com Comunicação para a área de Recursos Humanos (mais especificamente em carreiras e mercado de trabalho), deparei-me com correntes distintas – mas não menos pertinentes – de pensamento sobre esse tema. Em linhas gerais, elas dizem: esqueça as suas deficiências (pontos de melhoria ou “gapsâ€, como gostam de dizer os profissionais de RH) e foque em seus pontos fortes.
John C. Maxwell, o maior especialista em liderança da atualidade, diz o seguinte: “Se você desenvolver aquilo que já faz bem, tende a tornar-se excelente. Se você perde tempo treinando para desenvolver algo que não é o seu talento natural, conseguirá se tornar, no máximo, mediano. Mas ninguém paga pelo mediano! Ninguém quer gastar um tostão com o ‘mediano’! Portanto, invista para tornar-se único e excelente no que você faz melhor.â€
O palestrante motivacional e escritor Luis Paulo Luppa, criador do conceito “Vendedor Pit Bullâ€, disse o seguinte em uma interessante entrevista ao Jornal Carreira & Sucesso (clique aqui para ler a Ãntegra): “O maior defeito das empresas que eu observo hoje é que elas pegam uma pessoa que é fraquinha e treinam muito - um cara que é fraquinho, quando você treina, vira um fraco (…). As empresas têm de investir nos pontos fortes de cada um, e não ficarem preocupadas com os pontos fracos. É a mesma coisa se um técnico quiser treinar a perna direita do Maradona. Não faz sentido, porque o que ele faz com a esquerda ele faz muito bem.â€
O exemplo do Maradona – tudo bem que ele era gênio com a esquerda (seu pé forte), com a direita (seu pé “fracoâ€), com a cabeça e até com as mãos (que o digam os ingleses, eliminados pela sua “mano de Dios†na Copa de 86) – é bastante interessante e ilustrativo, em minha opinião.
Pensando bem, as palavras de Maxwell são largamente aplicáveis à minha realidade: por mais que eu estudasse e me esforçasse, jamais passaria de um aluno nota C em Matemática ou FÃsica. Porém, sempre tive afinidade e talento para as Humanidades, especialmente Português e História. Por isso, investi no Jornalismo – mesmo sabendo que o mercado de trabalho é eternamente ávido por engenheiros.
E você, o que pensa? Generalista ou especialista? Ser um ambidestro razoável ou ter a perna esquerda do Maradona? Gostaria de saber a sua opinião…
Fernão Silveira | 24 de Março de 2008, 10h28 | 14 Comentários »