por Fernão Silveira
No último final de semana, eu tive a oportunidade de conversar com um velho amigo que há muito tempo não via. Sabia que ele havia sido – merecidamente, diga-se – promovido a gerente na multinacional em que ele trabalha, mas não havÃamos falado de sua conquista até então.
Em determinado ponto da conversa, falávamos sobre como temos deixado a qualidade de vida de lado para poder galgar degraus na carreira – é verdade: este amigo, que sempre foi bem magro, já ostenta uma barriguinha razoável por conta das horas a mais de trabalho, das viagens, do sedentarismo e das refeições totalmente desregradas.
E ele, recém-promovido a gerente de uma das maiores e mais famosas empresas do mundo, com negócios nas mais diversas áreas, reclamava que cada vez tinha menos tempo para ele (inclusive para nós, amigos dele).
E eu perguntei: “Cara, está valendo a pena? Pelo dinheiro, pela ascensão profissional…”
E ele respondeu: “Pois é, tenho pensado nisso… Por enquanto, acho que ainda vale, sim. Mas não sei por quanto tempo valerá… Sei que vai chegar uma hora em que vou querer diminuir o ritmo. Penso até em prestar um concurso público para ganhar um salário mais baixo, mas que me permita viver razoavelmente bem… Sei lá…”
E este amigo tem apenas 28 anos…
Recentemente, deparei-me com uma frase atribuÃda ao Dalai Lama (não sei se é dele mesmo…) que é bastante interessante. Vale a pena pensar:
“Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente e nem o futuro. Vivem como se nunca fossem morrer, e morrem como se nunca tivessem vivido.”
Quantos de nós não vivemos assim hoje em dia por causa das exigências profissionais?
É claro que temos de nos dedicar profissionalmente e fazer o melhor possÃvel para construirmos uma ótima carreira. Mas precisamos tomar cuidado para que nossa saúde, fÃsica e mental, permita que aproveitemos todos os benefÃcios que conquistarmos com nosso trabalho. Do contrário, o que terá valido trabalhar tanto?
Fernão Silveira | 10 de Março de 2008, 11h12 | 4 Comentários »