Foi chegando o fim do ano e a HiTech Consultoria em Tecnologia da Informação tinha planos de transformar-se em 2008. O ano de 2007 havia sido um ano nota 9, mas 2008 teria que ser nota 10. Por isso o presidente da empresa resolveu criar um cargo de Diretor Comercial, algo que estava faltando para estimular e aumentar vendas.
Tratava-se de um investimento de grande vulto, mas necessário para mudar os processos. Ao final do processo seletivo, Paulo de Jesus foi o escolhido. Sua função era mudar tudo para tornar a empresa mais rentável no médio e no longo prazo.
A primeira coisa que Paulo fez foi conhecer a empresa e os seus clientes. Passou a entrar em contato diretamente com os contatos das empresas para compreender o serviço que estava sendo oferecido. Isso antes mesmo de falar com os gerentes comerciais.
Também resolveu marcar uma reunião com alguns vendedores externos com o objetivo de entender como trabalham os gerentes e ouvir sugestões que não costumam chegar até a diretoria.
Diante dos resultados, percebeu que um de seus problemas seria Geraldo, um gerente de vendas de uma área importante para a HiTech: a bancária.
Esse gerente não deixava os representantes trabalharem direito, era centralizador demais, queria ele mesmo fechar as vendas (e ganhar comissões sozinhos) e não estimulava a equipe a ganhar mais. Os rendimentos variáveis deles cresceram mais de 70% em um ano enquanto os seus representantes não conseguiam quebrar nenhum recorde.
Para resolver tudo isso, Paulo chamou-o para a sua sala pouco antes das férias coletivas e perguntou-lhe o seguinte:
- Quais são os seus planos para 2008?
- Quero manter a mesma taxa de crescimento do que em 2007.
- Esse não é o meu plano.
- Qual é o seu plano?
- Dobrar a taxa de crescimento de 2007.
- Isso é impossÃvel.
- ImpossÃvel é pensar da forma que você está pensando. Se nesse ano crescemos 15%, o ideal é pensarmos em crescer 30% ano que vem. Mesmo se nos frustrarmos, certamente estaremos acima dos 15%. Você não vê dessa forma?
- Da forma como estamos trabalhando hoje, não.
- Da forma que você está trabalhando, você quer dizer?
Nesse ponto Geraldo percebeu que havia cometido uma gafe imperdoável. E para Paulo, a gafe era mesmo imperdoável. Mas Paulo de Jesus sabia que era natal e não queria também ser tão mau assim logo em seus primeiros dias.
- Agora você vai entrar em férias. Quero que pense sobre essa nossa conversa. Quero fazer uma nova reunião no ano que vem com você e espero que até lá você já tenha mudado de idéia.
Geraldo percebeu que teria de mudar completamente a sua forma de agir, pensar e sentir em 2008. Saiu da sala pronto para ir para casa e viajar de férias. Mas suas férias não seriam mais tão tranquilas quanto ele pensava. Era necessário mudar, e mudar o mais rápido possÃvel. No entanto não sentia medo de mudar. Pelo contrário. Ao perceber que mudar era preciso e que isso iria fazer bem, Geraldo sentiu o coração disposto a arriscar, ainda que isso significasse perder no curto prazo – com ganhos imensos no longo prazo. Estava decidido: 2008 teria de ser um ano nota 10.
Mas Geraldo esqueceu-se de falar com Paulo. Paulo já tinha um plano: na primeira reunião do ano com Geraldo iria avaliar a situação novamente e ver se procederia com a demissão ou com a readequação de suas funções na empresa. De qualquer forma a vida de Geraldo mudaria completamente.
E quanto a você, leitor desse blog, convido-o a fazer do ano de 2008 um ano nota 10!
Para concluir, desejo a todos os leitores que os melhores dias de 2007 sejam os piores dias de 2008.
Um abraço e boas festas!

