Arquivo de Agosto, 2007

O blog indiscreto

Sexta, Agosto 31st, 2007

Gisele estava terminando o processo de efetivação de um estagiário. Dentre as tarefas estava verificar o perfil no Orkut e sites pessoais, como blogs ou fotologs.

Acabou encontrando o blog do Daniel. Lá ele falava mais de sua vida pessoal, do fim do curso da faculdade e um pouco do fim do estágio. Lá ela encontrou o seguinte post.

“Vou ser efetivado na minha empresa. Quer dizer, ninguém ainda me falou nada, mas um supervisor disse que eu seria indicado para ser efetivado. Acho bom mesmo. Estou acabando a faculdade e tudo o que menos queria agora era trocar de emprego pois gosto da empresa de onde estou. Apesar de ter um cara que me incomoda por lá, ele não é meu chefe e não trabalho diretamente com ele.

Acho interessante poder falar essas coisas no blog. Hoje é o Dia internacional do blog e todos nós deveríamos postar alguma coisa hoje para simbolizar esse dia. Resolvi falar do trabalho, mas poderia ser qualquer coisa. Afinal os blogs servem para qualquer coisa mesmo”.

Mal sabia Daniel que também servia para que a empresa verificasse a conduta de seus funcionários. O texto do blog era bastante inocente, mas mostrava uma qualidade que a empresa de Gisele admirava: a sinceridade.

No entanto, durante o processo de efetivação Daniel teve de ir ao departamento pessoal falar com Gisele.

Lá chegando ela perguntou-lhe quem é que lhe incomodava, de acordo com o que estava escrito em seu blog.

Observou que Daniel ficou com vergonha ao saber o que ela tinha lido. No entanto resolveu ser sincero uma vez mais.

- É um outro estagiário que não foi nem efetivado. Ainda bem! Ele me incomodava porque só ficava falando mal das coisas e das pessoas sempre.

- Sim, sabíamos disso. Mas mesmo assim precisava perguntar a você. Obrigado!

Daniel saiu da sala aliviado, mas ao mesmo tempo preocupado. Pensou: “melhor ser mais discreto com o que escrevo sobre a minha vida”.

Melhor mesmo. Ainda mais hoje que é, de fato, o dia internacional do blog!

Estude!

Quinta, Agosto 30th, 2007

A recepcionista

Sexta, Agosto 24th, 2007

Ela atendia os telefones e recebia os clientes e fornecedores. Servia café para quem esperava pelas reuniões em sua empresa de consultoria. Marcela tem um lindo sorriso, muita simpatia e grande força de vontade. Apesar de ainda estar estudando, nunca deixou de acreditar que seria capaz de conseguir muito mais do que ficar na recepção.

Certa vez Marcela recebeu um cliente que havia chegado mais de vinte minutos adiantado. Sabendo que Tatiana, a vendedora externa, e o diretor encontravam-se ainda em outra reunião, ela pediu para o cliente esperar um pouco. Serviu-lhe um copo d’água enquanto ele esperava.

- Só mais uns minutos, Sr. Fernando, que eles ainda estão em reunião – disse sorrindo.

- Sem problemas. A gente sempre espera quando quer resolver alguma coisa.

- É verdade. Sempre que vamos tentar resolver algo com um médico, por exemplo, sempre temos que esperar – respondeu.

No entanto ao dizer isso percebeu que Fernando sorriu de forma diferente. Era como se ela tivesse falado algo mágico.

- Sabe que agora você me deu uma idéia? Acredito que tenha chegado numa forma de resolver o problema com a ajuda de vocês! Muito obrigado.

Em seguida Tatiana chegou para levá-lo à reunião. Lá Fernando chegou
dizendo:

- Tenho que agradecer imensamente à recepcionista de vocês. Ela disse algo que me deu uma idéia para resolver o nosso problema de lentidão de sistema: esperar para fazer as transações de sistema na hora certa.

- É uma ótima idéia – disse o diretor. Tatiana, depois vamos falar com a garota da recepção para ver se ela pode trabalhar com você como analista, afinal você estava precisando mesmo de alguém para auxiliá-la.

- Certamente. Fernando, vamos ajudá-lo com o seu problema. Muito obrigado e continuaremos trabalhando em breve. Nossa próxima reunião é na semana que vem – concluiu Fernanda.

Tatiana saiu da sala e contou à Marcela que ela seria promovida por algo que ela havia dito. Curiosa, perguntou à recepcionista o que era.

- Nada demais. Disse-lhe apenas que sempre que precisamos resolver um problema, como um problema de saúde, por exemplo, temos que esperar na sala de espera um tempo. Não sabia que isso iria me ajudar.

Tatiana percebeu que a capacidade de criar analogias da recepcionista poderia ajudá-la a resolver problemas. Com isso Marcela foi promovida e nunca mais ficou na recepção. Hoje dedica-se apenas a criar soluções para os clientes.

Seu passaporte para o futuro…

Quinta, Agosto 23rd, 2007

A Catho Online lançou o Concurso Cultural ?Seu Passaporte para o Futuro? com o apoio da agência de intercâmbio Sem Destino. Para participar da promoção, é necessário acessar o site http://futuro.catho.com.br/ e responder, quantas vezes quiser, a pergunta: ?O que garante o sucesso a um profissional??.

As melhores respostas ganharão uma viagem de intercâmbio para Toronto (Canadá), Santiago (Chile) e Buenos Aires (Argentina) – para o primeiro, segundo e terceiro lugar, respectivamente. Além da viagem, os ganhadores terão a oportunidade de realizar um curso de Inglês, em Toronto, e um curso de Espanhol, em Santiago e Buenos Aires.

As frases serão avaliadas por uma comissão julgadora formada por profissionais de Marketing das duas empresas, que levarão em conta a criatividade, originalidade e uso correto da língua.

Os interessados em participar deverão enviar suas frases até o dia 10 de setembro e o resultado será divulgado no dia 14 do mesmo mês. Demorou para você participar![rs]

A sala de espera da entrevista

Sexta, Agosto 17th, 2007

Esperar pela entrevista é como ficar cego por alguns instantes. Imaginar o que o entrevistador irá perguntar exige que a mente absorva-se em pensamentos até ter uma noção do que deve ser respondido. Giovana não era diferente. Concorria a uma vaga para trabalhar como gerente administrativa de um grande banco.

Em entrevistas havia algo comum para ela: sempre esperava mais do que quinze minutos para começar. A sala de espera de uma empresa era algo valioso, pois era o mínimo que lhe era apresentada da empresa onde estava. Ali podia observar pequenos detalhes que diziam muito sobre o banco. A sala de espera tinha estátuas abstratas e plantas, mostrando uma certa preocupação com ambiente e buscando trazer arte aos olhos dos funcionários e possíveis futuros empregados.

Dali era possível ver o movimento de uma mesa de operações de fundos de investimento. Podia ouvir o som de diversos telefones tocando inúmeras vezes. Ouvia também o som de alguns operadores disputando a voz uns com os outros para poder ouvir quem estava do outro lado da linha. Era um ambiente de muita ansiedade.

Havia uma sala de reuniões do lado que estava com a porta fechada. No entanto Giovana teve a oportunidade de ouvir por umas três vezes o barulho de alguém batendo na mesa, algo como uma reunião tensa. Pouco depois a sala se abriu e ela pôde notar que provavelmente era uma reunião de diretoria.

Minutos mais tarde, durante a entrevista, Giovana disse ao seu entrevistador que trabalhava bem em ambientes de alta pressão. Isso certamente garantiu-lhe a vaga que logo depois conseguiu. Ao começar a trabalhar, ela encheu a sua sala de plantas e colocou algumas pequenas estátuas e obras de arte para sentir-se mais à vontade.

Giovana no final conseguiu responder ao nervosismo da direção da empresa com muita competência. Hoje ela nem pensa em frequentar salas de espera para entrevistas. Em vez disso, ela mesma faz entrevistas com novos profissionais para a sua agência. E faz questão de deixá-los esperando em lugares onde fosse possível observar alguns detalhes da empresa.

“Google Me”

Quinta, Agosto 16th, 2007

Lembro como se fosse ontem a primeira vez que escrevi neste blog e o assunto é o mesmo que trago hoje: o Orkut. Quem ainda não ouviu falar nesse site de relacionamentos? E nem precisa ir muito longe, pois tudo o que você faz na Internet deixa rastros e esses o Google acha…[rs]

O fato é que hoje muitas empresas estão “googleando” e fuçando o Orkut de candidatos a uma vaga de emprego. Não são todas que fazem isso, mas parece que a prática está ficando cada vez maior.

Segundo matéria publicada no site G1, as empresas contam cada vez mais com a internet antes de contratar novos funcionários ? Orkut, blogs e buscas podem funcionar como aliados na hora de descobrir aquilo que o candidato não divulga. Um estudo da empresa de rede social para profissionais Viadeo indica que um em cada cinco executivos procura na web informações sobre pessoas que participam de processos seletivos; 59% desses tomadores de decisão admitem que esses dados influenciam na hora de contratar.

Já pensou nisso? Vale ou não vale? Eu acho que não tem muito a ver, mas as empresas estão de olho…

Os dias dos pais

Sexta, Agosto 10th, 2007

Ele acordou alvoroçado. Percebeu que estava atrasado. Também, pudera,
teve de trocar o bebê que chorava enquanto a mãe tinha dor de cabeça. Aí
teve que ficar do lado do bebê que não parava de chorar até altas horas
da madrugada. Cantando ele conseguiu fazer o menor dormir, até que o
outro, maiorzinho, de cinco anos, resolveu acordar. E não dormir mais. E
pedir para ficar na cama dos pais. O pai o convenceu a deitar e acabou
lendo-lhe uma história. Agora estava atrasado.

O chefe não perdoava. Falava um monte para ele quando ele se atrasava.
Dessa vez não foi diferente. Disse que descontaria do seu salário o
atraso de hoje, de uma hora. Fábio, o pai, não gostou. Sabia que teria
de pagar o presente que seus filhos comprariam para o dia dos pais e
resolveu argumentar com o chefe.

- Você não tem filhos?

- Não, não tenho.

- Pois eu tenho. Ontem fiquei a noite toda acordado colocando-os para
dormir e foi bem difícil. Eu também não gosto de me atrasar, mas faço
hora extra para compensar. Você não acha justo?

Tocado, o chefe percebeu que exagerara nas palavras. Concordou com a
cabeça de pronto, balbuciou uma palavra qualquer e saiu. Fábio, no
entanto, sabia que aquele lugar não era para ele. E desejou ganhar no
dia dos pais um novo emprego, algo que, infelizmente, seus pequenos
filhos ainda não lhe podem dar.

O valor real

Sexta, Agosto 3rd, 2007

Julia tinha tudo para crescer, mas temia não conseguir se destacar num lugar em que as pessoas pareciam não ouvi-la. Queria muito ter a oportunidade de ser valorizada pelo trabalho que acreditava ser capaz de fazer. Entretanto, com o passar do tempo, passou a acreditar que não era.

Por um acaso do destino, Julia falou com uma amiga sua sobre o assunto. Sua amiga, porém, pareceu não lhe dar a devida atenção. Em vez disso, fez-lhe um pedido.

- Júlia, você que trabalha perto do centro pode fazer um favor para mim? Quero vender um colar, mas não sei o quanto vale. Você pode perguntar para aquelas pessoas do centro que compram jóias?

Júlia sentiu-se ainda mais desanimada para desabafar, mas resolveu fazer o favor para a amiga. Ofereceram-lhe no máximo cem reais. Ela ligou para a sua amiga avisando do preço e sua amiga pediu-lhe para levar-lhe a jóia de volta à noite.

Lá chegando, Júlia deparou-se com uma visita na casa da amiga. Era um especialista em jóias que queria avaliar o colar de sua amiga. O especialista disse:

- Vale pelo menos mil reais. No mínimo. Há quem pague mais.

Pasma, Júlia percebeu que havia algo de estranho naquela história. A amiga então lhe disse:

- Quando você veio aqui, sentia-se como se a jóia que você carregava era de baixo valor. Mas apenas um especialista pode dizer o quanto vale uma jóia. Talvez você não esteja cercada de pessoas capazes de reconhecer o seu real valor. Mas você é como essa jóia: vale muito mais do que você pensava!

Júlia percebeu o que a amiga lhe fizera. Agora sabia que a amiga não só a escutara, como a fez reconhecer que carrega dentro de si uma pedra preciosa. Sabendo disso, meses mais tarde Júlia foi contratada por uma nova empresa. Agora se sente feliz ao lado de especialistas que sabem reconhecer-lhe o devido valor.

Talento é tudo?

Quinta, Agosto 2nd, 2007